Desde que António Costa, no fim de semana passado, resolveu lançar o tema da “justiça fiscal” que está a ser negociada entre o Governo e os partidos mais à esquerda que o apoiam, para constar da proposta de Orçamento do Estado para o próximo ano - "para que quem ganhe menos pague menos" -,  que o Imposto sobre o Rendimento (IRS) anda "nas bocas do mundo”.

Tem servido de arremesso político, com o PSD a sair logo no contra-ataque e Passos Coelho a dizer que é forma de "fazer demagogia, propaganda e populismo".

Serve para capitalizar as propostas do Bloco de Esquerda e do PCP. Com o Bloco a propor que sejam desdobrados os escalões de IRS e alterado o modelo de deduções fiscais para garantir que os beneficiados são apenas os salários mais baixos; e os comunistas a defenderem o dobro dos escalões neste imposto.

Enche espaço nos media e levanta as mais diversas questões. Quer da parte dos portugueses, que o que precisam mesmo é de saber quanto isso representará, nos seus bolsos, depois de feitas todas as contas; quer da parte de vários fiscalistas que, apesar de não terem o documento do OE2018 na mão, sabem que qualquer que seja o efeito tocará a uma minoria e só em 2019, tal como explicou esta terça-feira no espaço da Economia 24 no Diário da Manhã da TVI, Luís Leon da Deloitte.

E, como se não bastasse o bruaá que já está criado à volta do tema, o Governo foi esta terça-feira obrigado o retificar que a tal “justiça fiscal”, no OE2018, vai beneficiar 1,6 milhões de agregados familiares e não 3,6 milhões, como tinha avançado, “por lapso”, o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Pedro Nuno Santos, em entrevista à Lusa, duas horas e meia antes.

Seja qual for o alívio fiscal no bolso dos contribuintes portugueses, enquanto nada se sabe do OE2018, a “discussão” do tema já pôs alguns a fazerem contas para as quais nem sequer vão ser chamados.