Os números do setor do turismo têm revelado este ano crescimentos significativos, que podem vir a ser comparados com 2007, o melhor dos anos, mas diversos responsáveis associativos preferem mostrar cautela face às perspetivas até dezembro.

Entre janeiro e maio deste ano as receitas do turismo cresceram 7,9% para 2,950 mil milhões de euros, segundo dados disponibilizados pelo Banco de Portugal no mês passado, o que leva a presidente da comissão executiva da Confederação do Turismo Português (CTP), Adília Lisboa, a declarar que o «ano está a correr muito bem» para o setor, podendo vir a ser comparado com 2007, ano considerado marcante para o meio.

No que toca às dormidas, números do Instituto Nacional de Estatística (INE), novamente apenas para os primeiros cinco meses do ano, apontam para um crescimento de 4,3% em termos homólogos face a 2012, para um total de 13,277 milhões, enquanto os proveitos subiram 3,4% para 598 milhões de euros.

«São números bons, mas devemos ser lúcidos em relação a eles. Continua a haver um problema de preço, os hotéis conseguiram resolver o problema de ocupação, mas fizeram cedências importantes no preço», afirmou à Lusa o presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagem e Turismo (APAVT), Pedro Costa Ferreira, que realçou que a única coisa que dá por adquirida «é que este ano vai ser melhor do que o ano passado e o ano passado tinha sido melhor do que o anterior».

Na mesma senda caminha o presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), Luís Veiga, que salienta a necessidade de «ser realista», já que «depois do verão a realidade é confrangedora», lembrando que Portugal perdeu visitantes na última década e que só agora parece estar a recuperá-los.

Por seu lado, o consultor Sérgio Palma Brito, antigo diretor-geral da CTP que publica regularmente análises sobre o setor num blogue homónimo, lamentou que não haja «procura qualificada e exigente de quantificação do turismo, por parte de Governo, administração, iniciativa privada, universidades e opinião pública», algo que só pode mudar «por ímpeto político do Ministério da Economia».

Portugal está a beneficiar da instabilidade na Turquia e Tunísia

Cruzeiros passam ao largo da crise

O saldo entre as receitas e as despesas do setor cresceu 10,1% entre janeiro e maio deste ano para os 1,674 mil milhões de euros, segundo o Banco de Portugal.

«O comportamento tem sido bom, as taxas de ocupação têm subido consideravelmente e estamos a falar do Algarve onde temos, sobretudo nos quatro e cinco estrelas, uma ocupação histórica», afirmou Adília Lisboa da CTP.

Pedro Costa Ferreira ressalva: «Portugal está bem ocupado, mas está barato».

Ainda esta semana, a Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA) revelou que a taxa de ocupação média por quarto na hotelaria algarvia cresceu para 81,6% em julho, uma subida face aos 78,7% homólogos de 2012.

O presidente da AHETA, Elidérico Viegas, reconheceu à Lusa que «as receitas não acompanham o aumento das taxas de ocupação», mas destacou que «o aumentar das taxas de ocupação é o primeiro desígnio para passar a gerir a política de preços».

O responsável do Turismo do Algarve, Desidério Silva, concorda: «O futuro não passará pelo esmagamento de preços, passará pela relação qualidade-valor.»