A receita já obtida com portagens na Via do Infante (A22), no Algarve, ronda os 70 milhões de euros, revelou esta sexta-feira a Estradas de Portugal, sublinhando que as receitas crescem desde a introdução da medida, em dezembro de 2011.

A Comissão de Utentes da Via do Infante continua, três anos depois, a fazer um balanço negativo da medida para a economia do Algarve e a manter ativos protestos para procurar suspender o pagamento por «falta de alternativas», uma vez que a única à autoestrada existente é a Estrada Nacional (EN) 125, que atravessa localidades, e regista uma sinistralidade elevada.

Também o PCP continua a manter a sua oposição à medida e realiza hoje um buzinão nas ruas de Faro para assinalar três anos de pagamento, com repercussões que o partido considera terem sido «muito negativas para a atividade económica da região» e terem gerado um «agravamento das injustiças e desigualdades sociais».

O Bloco de Esquerda e a Comissão de Utentes da Via do Infante integram há cerca de dois meses, juntamente com os partidos políticos espanhóis Podemos e Izquierda Unida, a Plataforma Hispano-Portuguesa de afetados pelas portagens na Via do Infante, que se reúne no sábado em Altura, concelho de Castro Marim (distrito de Faro) para decidir novas formas de protesto na Ponte Internacional do Guadiana, que liga a região espanhola da Andaluzia e o Algarve.

A Comunidade Intermunicipal do Algarve também aprovou na sua última reunião uma moção a apelar ao fim das portagens.

Contudo, após algumas iniciativas conjuntas realizadas logo nos primeiros meses, a contestação passou a ser feita de forma independente por cada uma das estruturas, sem uma unidade nos protestos.

Nos dados enviados à agência Lusa, a Estradas de Portugal adiantou que, entre janeiro e outubro de 2014, as receitas obtidas pela concessionária «já alcançaram o valor total de receitas de 2013», que foi de 23,8 milhões de euros.

Em 2012, o valor tinha sido de 21,3 milhões de euros, segundo a Estradas de Portugal, que justificou o aumento verificado nas receitas com melhorias feitas nos sistemas de pagamento e que começaram a abranger de forma mais generalizada automobilistas estrangeiros, sobretudo espanhóis.

Os coletivos representativos dos utentes consideram que desde a introdução de portagens houve «uma quebra de tráfego» e a Estradas de Portugal reconheceu que de 2011 para 2012 se assistiu «a uma redução de tráfego nesta via», mas indicou que este se «manteve estável em 2013».

«Importa referir que esta quebra não pode ser exclusivamente associada à introdução de portagens, uma vez que, como se sabe, o país atravessou tempos económicos difíceis e a descida do tráfego foi transversal a todas as vias. Salientamos que o ligeiro aumento de tráfego registado na EN125 (principal alternativa à A22) não é proporcional à quebra de tráfego na A22», argumentou a empresa que gere a rede viária portuguesa.

A mesma fonte frisou ainda que nos primeiros nove meses de 2014 o tráfego na A22 registou «uma subida de 9%» e desde a introdução do pagamento houve «uma forte diminuição dos encargos para o contribuinte» na antiga autoestrada sem custos para o utilizador (SCUT) do Algarve.