
O Algarve está topo da tabela do desemprego no país, uma situação «dramática». O presidente da Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL) apela, por isso, ao Governo para tomar medidas que permitam combater o desemprego na região. A taxa alcançou os 20% no primeiro trimestre de 2012.
Macário Correia está «profundamente preocupado» com os dados divulgados pelo INE - que apontam ainda para uma taxa de 14,9% a nível nacional e mais de um milhão de desempregados.
Segundo o governante, a paragem das obras na Estrada Nacional 125, suspensas por dificuldades financeiras do consórcio construtor, mandou muitas pessoas para o desemprego, um processo que o Estado poderia ajudar a desbloquear.
Por outro lado, segundo referiu à Lusa, é preciso que se agilizem os procedimentos relativos aos incentivos para obtenção de fundos europeus e que se desbloqueie também o empréstimo bancário que permitirá aos municípios pagar dívidas aos fornecedores.
Também o coordenador da União de Sindicatos do Algarve (USAL) se mostrou preocupado com o aumento «galopante» do desemprego na região, acusando o Governo de «não adotar medidas» que invertam essa tendência.
«O Governo não tem feito nada para travar o desemprego e as medidas que tem tomado tendem a afundar ainda mais a economia do Algarve, como a introdução de portagens na A22», sublinhou António Goulart, em declarações à Lusa.
O coordenador da estrutura afeta à CGTP/Intersindical lamentou «a falta de sensibilidade» do Governo ao não aproveitar as soluções propostas por aquela estrutura para combater o desemprego e queixou-se de não serem ouvidos.
O delegado do Instituto do Emprego no Algarve atribui os 20% de desemprego à queda na construção civil, mas destacou que o número de desempregados inscritos diminuiu desde março e que as próximas estatísticas deverão ser mais positivas.
Segundo Carlos Baía, neste momento já se regista o início do efeito sazonal que sempre ocorre no Algarve nos meses de maior calor. No entanto, «quando chegarmos a junho esse efeito deverá ser bem maior».
«Neste momento já temos menos inscrito nos centros de emprego do que em março e até em dezembro do ano passado», garantiu, sem referir dados concretos.
O responsável do IEFP fez depender um eventual novo retrocesso no final da época balnear, em setembro, da «saúde» da economia, mas garantiu que os atuais números negativos se devem sobretudo às quebras do setor da construção civil.
Em setembro de 2011, havia 21.392 desempregados inscritos nos centros de emprego da região.