Quando a insegurança mundial aumenta os investidores fazem outras opções de investimento que não as ações e viram-se para ativos menos arriscados.

Um deles costuma ser a dívida alemã. Hoje os juros da dívida alemã, no mercado secundário bateram novos mínimos históricos com taxas negativas nas maturidades a 2,5, 10, e 15 anos. Ou seja, há muitos investidores a pagar para deterem dívida da maior economia da Europa

De acordo com os dados da Reuters, a taxa de juro, média, das obrigações da dívida alemã a 10 anos, atingiu esta manhã os 0,20% negativos, a mais baixa de sempre.

Com a taxa a 15 anos a ficar no mínimo de -0,05%. Uma tendência de baixa acentuada – registada cerca das 9 da manhã – que afetou também as maturidades a dois (-0,68%) e a cinco anos (-0,62%).

Mesmo nas maturidades mais alargadas, em que os juros das obrigações da dívida alemã continuam positivos, os valores das taxas de juro caíram para mínimos históricos. No caso da maturidade a 30 anos a taxa chegou aos 0,29% e aos 0,12% para as obrigações a 20 anos.

Faz sentido de andar a pagar para deter dívida da Alemanha?

Parece que não faz sentido mas há um racional por detrás desta opção.

“A Alemanha apresenta fundamentais económicos mais sólidos em comparação com os seus pares europeus, nomeadamente a taxa de desemprego em mínimo histórico, rácio de dívida pública sobre o PIB abaixo da média, e uma balança comercial positiva com o resto do mundo, o que dá suporte à qualidade creditícia do Estado alemão como emitente de dívida pública e justifica um nível de rentabilidade inferior em comparação com os restantes países”, já tinha justificado à TVI antes do Brexit David Pinheiro, gestor de fundos multi-ativos da IMGA.

Aposta em dívida alemã tem ainda outra mais-valia “é também um ativo de refúgio num potencial cenário em que se verifica um “break up” – rutura - da zona euro e da moeda única, i.e., neste cenário os títulos de dívida pública alemã seriam convertidos em marcos alemães, e deveriam registar forte apreciação face às restantes moedas. Logo, a dívida alemã serve de seguro para este risco”, acrescentou na ocasião o gestor de fundos.

Seja qual for o caso, a realidade mostra que apostar em dívida alemão está na moda, pelo menos os últimos anos. “Essa tem sido a opção durante períodos de maior incerteza e menor complacência perante o risco, num cenário de ausência de remuneração nas tradicionais aplicações bancárias a prazo e numa conjuntura de baixas taxas de juro durante uma perspetiva de longo período”, disse em véspera de Brexit à TVI João Queiroz, diretor de negociação da GoBulling/Banco Carregosa.