Os presidentes dos principais bancos portugueses reúnem-se hoje com o presidente do BCE, em Frankfurt, para conhecerem os detalhes da avaliação de ativos e dos testes de stress a que serão sujeitos nos próximos meses.

Caixa Geral de Depósitos, BCP, BPI e Grupo Espírito Santo (que detém o BES) fazem parte do grupo de quase 130 bancos europeus cujos balanços o Banco Central Europeu (BCE) vai avaliar durante um ano já a partir deste mês.

Para conhecerem os detalhes desses exames, os responsáveis destas instituições ¿ José de Matos (CGD), Nuno Amado (BCP), Fernando Ulrich (BPI) e Ricardo Salgado (BES) ¿ estão hoje em Frankfurt para uma reunião em que deverão estar presentes o presidente do BCE, Mario Draghi, o vice-presidente, Vítor Constâncio, e o responsável da Estabilidade Financeira da instituição, Ignazio Angeloni. O Banco de Portugal também estará representado no encontro.

Esta é a terceira e última das três reuniões entre o BCE e os bancos avaliados, sendo que a par dos portugueses deverão estar no encontro bancos de Itália e da Holanda, entre outros.

A avaliação do BCE aos principais bancos da zona euro será composta por três fases: uma análise à qualidade do balanço dos ativos dos bancos (à data de 31 de dezembro deste ano), uma análise dos principais riscos que se colocam a cada entidade (liquidez, alavancagem ou financiamento) e testes de stress.

O BCE ainda não divulgou os cenários de tensão a que os bancos serão sujeitos nos testes de resistência, como degradação da economia e exposição à dívida pública, mas já informou que vai exigir um rácio de capital mínimo core tier 1 (segundo os critérios de Basileia III) de 8%.

O presidente do BCE disse na sexta-feira que os critérios dos testes de stress, que estão a ser definidos com a Autoridade Bancária Europeia (EBA em inglês), serão anunciados no fim de janeiro.

Nos últimos anos, a EBA levou a cabo vários testes de stress, tendo sido criticada por não ter detetado falhas em bancos que viriam a dar problemas e a precisar de ajuda, caso do irlandês Anglo Irish Bank.

Agora, o BCE quer dar credibilidade a estes exercícios e fortalecer o balanço dos bancos da zona euro antes de assumir a supervisão bancária única, em 2014, um dos mecanismos da futura União Bancária.

Entre os quase 130 bancos incluídos nesta avaliação do BCE, 24 são alemães, 16 de Espanha e 15 de Itália.