O presidente da Federação de Bancos Alemães, Michael Kemmer, não acredita que as diversas medidas adotadas no início do mês pelo Banco Central Europeu impulsionem o crédito no sul da Europa.

«Duvidamos que as generosas injeções de liquidez sirvam para superar os problemas de crédito na periferia», afirmou Kemmer, durante um encontro com a imprensa estrangeira em Berlim.

«A liquidez não é escassa, o que se passa é que créditos nocivos e altos riscos das empresas desses países levam à adoção de uma prática restritiva», acrescentou.

Segundo Kemmer, os bancos só concedem crédito quando as empresas cumprem determinadas condições que reduzem os riscos.

«Se uma empresa não tem essas condições, os bancos não lhes concederão crédito por mais liquidez que disponham», explicou.

Os juros que os bancos têm de pagar para depositar o dinheiro no BCE também não os pressionarão a mudar as práticas creditícias, defendeu.

Na Alemanha, segundo Kemmer, o problema não é um bloqueio dos créditos, mas precisamente o contrário.

«Nós queríamos dar mais crédito que o solicitado às empresas, mas os empresários continuam reservados face a novos investimentos», reforçou.

Kemmer defendeu ainda que as baixas taxas de juro podem ter um efeito negativo por reduzirem a pressão sobre os governos para que estes façam reformas estruturais.

O BCE cortou a taxa de juro diretora em 0,10 pontos percentuais para o novo mínimo histórico de 0,15%, a 5 de junho, e anunciou a realização de duas injeções de liquidez de longo prazo (quatro anos), em setembro e dezembro deste ano, no valor de 400 mil milhões de euros.