A presidente do Conselho Diretivo do Instituto Nacional de Estatística, Alda de Castro Carvalho, afirmou hoje que o acesso à informação «em cima da hora» prejudica as estimativas do desemprego e conduz à revisão das estimativas.

A responsável, que está a ser ouvida na comissão parlamentar de Segurança Social e Trabalho, na sequência de um requerimento apresentado pelos grupos parlamentares do PSD e do CDS para explicitar as metodologias utilizadas na contabilização do emprego e desemprego, afirmou perante os deputados que «a credibilidade de um país resulta da credibilidade das suas instituições»

Disse, na explicação da metodologia usada pelo INE no âmbito da contabilização dos dados do emprego e do desemprego, que «a estatística não é uma ciência exata», mas «um instrumento importante para uma tomada de posição consciente em diversas áreas, nomeadamente, a económica».

Reconheceu que «quem analisa os valores pode ter pela frente uma revisão [das estimativas dos desemprego e do emprego]», o que acontece quase sempre.

«Este é o preço a pagar por termos informações mais em cima da hora», lamentou Alda de Castro Carvalho.

A revisão metodológica de contas a nível europeu, no ano passado, também contribuiu para uma revisão das contas nacionais e, consequentemente, do desemprego, assinalou a responsável.

Questionada pelo deputado do PS Nuno Sá sobre os motivos pelos quais o INE «descarta» os dados do Instituto do Emprego e Formação Profissional na contabilização dos dados do emprego e do desemprego, Alda de Castro Carvalho respondeu que «a informação do IEFP tem conceitos administrativos que não colam nos conceitos do inquérito ao emprego».

Embora considerando que «a matéria do emprego é fundamental», Nuno Sá aproveitou a sua intervenção para manifestar a discordância do PS quanto à redação do requerimento para a audição da responsável, solicitada pela maioria.

«Consideramos a credibilidade, o trabalho e o prestígio do INE […] mas não concordamos com a redação exata do requerimento e que justifica esta audição, porque podem resultar daí dúvidas, a suspeita e a confusão sobre os resultados do trabalho e as estatísticas do INE e não nos revemos naquilo que esta redação pode suscitar em termos de dúvida», afirmou o deputado.