O presidente da RTP, Alberto da Ponte, afirmou hoje que entre setembro de 2012 e janeiro deste ano saíram da RTP 310 pessoas e disse ter «grande esperança» que medidas em prática evitem o despedimento coletivo.

Alberto da Ponte, que falava aos jornalistas na conferência de imprensa sobre os resultados da RTP no ano passado, escusou-se a fazer o balanço do atual programa de rescisões, que termina na próxima segunda-feira.

«Cerca de 310 pessoas saíram entre setembro de 2012 e janeiro de 2014», afirmou o gestor, reiterando que o cenário de despedimento coletivo nunca pode ser afastado.

«Temos sempre grande esperança que as medidas que vamos pôr em prática como a externalização da manutenção e todas aquelas que estão consagradas na PDR [Plano de Desenvolvimento e Redimensionamento] levem a que não tenhamos de fazer o despedimento coletivo», essa «é, de facto, a nossa esperança e preocupação», sublinhou o presidente da RTP.

O gestor disse que é preciso analisar o que a RTP vai conseguir em termos de receitas e ainda, um aspeto que classificou de "importante, que o novo contrato de concessão de Serviço Público, o que qual «vai ser absolutamente determinante» para a empresa.

«Temos que ver aí como adequamos o financiamento», acrescentou.

O gestor disse que a empresa está a procurar «todas as maneiras possíveis» para baixar custos, adiantando que as rescisões por mútuo acordo no primeiro plano «foram bastante significativas e boas».

Alberto da Ponte disse que nessa altura «saíram boas pessoas e saíram pessoas» que se estimava que «não fariam grande falta sair», embora tenha lamentado algumas perdas.

«Mas é preciso ser realista, as audiências continuam a crescer, a política de rigor continua» e as «pessoas adaptam-se», acrescentou.

Em relação à proposta de redução do tempo de trabalho, que a RTP enviou numa circular a 21 de março, Alberto da Ponte disse: «Ainda não temos feedback, não penso que tenha uma adesão muito significativa».

A RTP tem inscrito no orçamento deste ano uma redução de gastos com pessoal na ordem dos 52 milhões de euros.

Este montante seria alcançado se «tivessemos conseguido um empréstimo em 2013», por isso, «torna-se óbvio que não vamos chegar a este número em termos de orçamento», acrescentou.

Perante isto, «vamos fazer o possível para poupar noutras áreas» que não sejam pessoas, mas que digam respeito também aos custos com pessoal, o que inclui «determinadas regalias».

«Depende da boa vontade, da externalização, dos centros regionais, se houver um aumento das receitas também ajuda», afirmou.

Alberto da Ponte disse que com as rescisões a empresa poupou 10 milhões de euros e gastou 13,5 milhões de euros.

Atualmente, «estamos a discutir com os sindicatos, a reduzir gastos e aumentar as receitas e temos mantido diálogo com o trabalhadores», disse.

«Entendemos que a RTP não pode ser uma exceção do esforço de contenção que todas as empresas estão a fazer, nomeadamente as empresas públicas», acrescentou Alberto da Ponte.

«Não conheço nenhuma empresa pública que em termos de proporção da sua receita tenha feito um esforço tão enorme como a RTP desde 2011 na redução dos custos e a crescer», sublinhou o presidente do Conselho de Administração.