O Grupo de Bruxelas, que reúne as instituições antes denominadas de ‘troika’ e os responsáveis gregos, retoma esta quarta-feira e até sábado as negociações presenciais em Bruxelas sobre as reformas a adotar por Atenas. Desde finais da semana passada que não havia trabalhos presenciais deste grupo que tenta chegar a entendimento sobre as medidas que o Governo helénico deve executar em troca de ajuda financeira.

Fontes comunitárias, citadas pela EFE, disseram que os peritos da Comissão Europeia, do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Central Europeu (BCE), assim como os representantes do Governo grego, voltam a encontrar-se a partir de hoje.

Fonte oficial da Comissão Europeia afirmou que têm havido "progressos" nas negociações, mas "a um ritmo mais lento” do que as instituições gostariam. A CE lembrou há dois dias que o tempo está a esgotar-se. O ministro grego das Finanças, Yanis Varoufakis, disse ontem que acredita que haja acordo dentro de uma semana

Desde fevereiro que o Governo liderado por Alexis Tsipras negoceia com a Comissão Europeia, FMI e BCE reformas a executar no país para fechar a última avaliação do programa de resgate e, assim, serem libertados, pelo menos, parte da última parcela do atual programa de resgate, de 7,2 mil milhões de euros.

A chegada de dinheiro a Atenas assume-se como cada vez mais fundamental face à escassez dos cofres públicos, como assumiu o ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis. “A liquidez é um assunto terrivelmente urgente”, afirmou, lembra a Lusa.

Em junho, a Grécia tem de fazer face ao pagamento de 1.500 milhões de euros ao FMI, a começar por 300 milhões de euros já no dia 05. Ontem mesmo, a presidente do FMI, Christine Lagarde, advertiu que a sua instituição  não vai permitir que a Grécia falhe os pagamentos. 

No entanto, as partes continuam ainda com posições distantes em alguns temas, nomeadamente quanto a cortes nas pensões e à liberalização do mercado laboral, tidas como as ‘linhas vermelhas’ que o executivo grego recusa ultrapassar.

No final desta semana, realiza-se em Riga, capital da Letónia, a Cimeira da Parceria Oriental e a Grécia já disse que quer estar na agenda não oficial.

À margem da reunião, está já previsto um encontro entre o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, mas a Comissão Europeia já avisou que quaisquer conversações políticas não podem ser um “substituto” para as negociações técnicas que decorrem no grupo de Bruxelas.

Entretanto, na segunda-feira o jornal grego Vimo noticiou que o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, enviou uma proposta a Atenas que permitia desbloquear desde já fundos para o país em troca da adoção de algumas medidas.

A eventual proposta, entretanto não confirmada pela Comissão, sugeria a libertação de 1.800 milhões de euros pelos parceiros europeus e dos 1.900 milhões de euros reclamados por Atenas referentes aos lucros que os bancos centrais fizeram com dívida grega.