Os assessores do Governo de Dublin afirmaram esta quinta-feira que a Irlanda deve pedir ajuda financeira adicional quando concluir a 15 de dezembro o resgate da União europeia (UE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Esta é a opinião do Conselho de Assessoramento Fiscal irlandês (FAC) em relação às opções que o executivo de coligação entre conservadores e trabalhistas a um mês de Dublin abandonar o programa de ajuda solicitado em 2010 à UE e ao FMI no valor de 85 mil milhões de euros.

«A situação ainda é frágil», afirmou o presidente da FAC, John McHale, que coincide com a conclusão de hoje da troika - Comissão Europeia (CE), Banco Central Europeu (BCE) e FMI - com base na última avaliação do resgate irlandês.

McHale recordou que a Irlanda efetuou «enormes progressos» para estabilizar as contas públicas e gerar confiança nos mercados de dívida, onde se financia a juros razoáveis desde julho de 2012, mas considerou que ainda não está em condições para «caminhar sozinha».

«Em concreto, existe o risco de que estale outra crise a nível europeu, motivo pelo qual precisamos de outros instrumentos de autoproteção», sublinhou McHale.

Até à data, todos os relatórios da troika foram positivos e espera-se que nesta ocasião também aprove os esforços do Governo para aplicar um duro plano de austeridade.

Mesmo assim, os inspetores analisaram os planos do executivo de Dublin para abandonar o programa de ajuda a 15 de dezembro, convertendo a Irlanda no primeiro dos quatro países resgatados da zona euro, designadamente a Grécia, Portugal e Chipre, a consegui-lo com sucesso.

Um porta-voz do ministério das Finanças irlandês, citado pela EFE, disse hoje que o Governo não tomou ainda qualquer decisão sobre o pedido de qualquer tipo de assistência internacional adicional.

Essa «linha de crédito preventiva», como a denomina Dublin, poderia ser concedida em troca de certas condições, o que, para alguns, significaria que a Irlanda não recuperará ainda a soberania económica.

Entretanto, Bruxelas reiterou que qualquer pedido de ajuda adicional é da responsabilidade exclusiva do Governo irlandês.