A troika recomendou, na última avaliação pós-programa a Portugal, cautela na reversão das principais medidas tomadas durante o ajustamento, como os cortes salariais ou a sobretaxa de IRS, desconfiando das previsões do anterior governo.

A segunda missão de monitorização pós-programa do Fundo Monetário Internacional (FMI), Comissão Europeia e Banco Central Europeu (BCE) teve lugar de 04 a 12 de junho de 2015 e focou-se nos acontecimentos da primeira metade do ano, bem como nas perspetivas do governo liderado por Passos Coelho inscritas no Programa de Estabilidade 2015-2019.

No documento, o executivo de então previa a reversão do corte salarial aplicado aos funcionários públicos e o fim da sobretaxa em sede de Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Singulares (IRS) a um ritmo de 20% ao ano, fazendo com que os ordenados fossem pagos por inteiro em 2019, ano em que acabaria também a sobretaxa.

Após as eleições legislativas de 04 de outubro, o executivo da maioria PSD/CDS-PP deu lugar a um Governo do PS, com minoria, mas apoiado pelos partidos à sua esquerda - PCP, Bloco de Esquerda, Partido Ecologista 'Os Verdes' - na Assembleia da República.

Com a tomada de posse do executivo liderado por António Costa, foram já revertidas algumas medidas de austeridade tomadas durante o período da 'troika'.

Os cortes salariais serão reduzidos a um ritmo de 25% por trimestre (sendo os salários pagos na totalidade a partir de outubro) e a sobretaxa foi eliminada em 2016 para os contribuintes do escalão mais baixo de rendimentos e tornada progressiva para os escalões seguintes, mantendo-se inalterada apenas para os rendimentos acima de 80.000 euros.

No Programa de Estabilidade 2015-2019, o anterior governo antecipava um défice de 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015 e uma redução para 1,8% em 2016, para 1,1% em 2017 e para 0,6% em 2018. Em 2019, estimava um excedente de 0,2% do PIB.

Quanto ao crescimento económico, o anterior executivo antecipava um crescimento de 1,6% em 2015, de 2% em 2016 e uma melhoria de 2,4% em cada um dos três anos seguintes.

Na altura, tanto o FMI como a Comissão Europeia mostraram-se menos otimistas do que o governo, antecipando mais défice (3,2% e 3,1%, respetivamente) e o mesmo crescimento em 2015, antevendo um abrandamento nos anos seguintes.

As duas instituições atualizaram entretanto as suas previsões, sendo que Bruxelas estima agora um crescimento económico de 1,7% e um défice de 2,9% este ano e o FMI prevê um aumento de 1,5% do PIB e um défice orçamental de 2,7%.

Estas previsões foram divulgadas no outono do ano passado, ainda sem ser conhecido o esboço de Orçamento do Estado para 2016. O documento foi entregue ao parlamento e a Bruxelas na passada sexta-feira e prevê um crescimento económico de 2,1% e um défice de 2,6% do PIB este ano.