A ANETIE - Associação Nacional das Empresas de Tecnologias de Informação e Eletrónica promove a partir de segunda-feira, em Lisboa, a semana internacional do setor, juntando mais de 80 empresários de várias dezenas de países.

Em declarações à Lusa, o presidente da ANETIE, Armindo Monteiro, disse que o objetivo é «fazer uma reflexão» sobre «o que se espera das tecnologias de informação nesta nova reindustrialização».

Pela primeira vez, estarão reunidos no mesmo evento a WITSA, que é a maior confederação mundial das tecnologias, e a ALETI, federação do setor na América Latina, disse o responsável.

Neste evento, denominado de International It Conferences - Connecting Continents & Markets, estarão representados cerca de 100 países que «trazem uma reflexão sobre o que se espera das tecnologias de informação», disse o presidente da associação.

«Vamos juntar no mesmo espaço a Europa e a América e encontrar protocolos comuns», concertando posições, adiantou.

«As tecnologias podem ajudar a mudar a agenda económica e empresarial» de Portugal, defendeu Armindo Monteiro.

A semana arranca na segunda-feira com a inauguração do Pavilhão do Amanhã, no Museu da Eletricidade em Lisboa, que vai «juntar o melhor das tecnologias nacionais», uma espécie de «Portugal Fashion das tecnologias», onde estarão presentes empresas portuguesas como a Critical Software, Novabase, Primavera, Brisa ou WeDo Technologies.

Esta montra de soluções tecnológicas portuguesas seguirá depois para países como Angola, Moçambique, Brasil, Alemanha ou Espanha, num "roadshow" que foi articulado com a AICEP - Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, adiantou Armindo Monteiro.

Na terça-feira será atribuído o prémio carreira ao presidente executivo da PT Portugal, Zeinal Bava.

«As empresas tecnológicas precisam de dois componentes: visão estratégica e uma liderança», apontou o presidente da ANETIE, destacando que Zeinal Bava teve uma «política interessante» na empresa, deu um «ritmo à internacionalização» e conseguiu que a PT «ombreasse a nível mundial».

O objetivo da semana internacional da tecnologia visa também «procurar sensibilizar a agenda económica portuguesa», que não pode assentar «apenas na austeridade e nos setores tradicionais» e defender que as «tecnologias de informação devem assumir a liderança do tecido empresarial, baseada na produção e inovação», de modo a criar mais economia e diminuir o desemprego, disse.

«É preciso criar negócios sofisticados», salientou Armindo Monteiro, defendendo «modelos mais sofisticados que possam pagar mais às pessoas».

Na sua opinião, «a única forma de subir salários em Portugal é ter negócios sofisticados com valor acrescentado».

As tecnologias de informação «podem alavancar o país», argumentou, lamentando que a Administração Pública em Portugal esteja a «perder o comboio tecnológico» devido ao desinvestimento tecnológico no setor.

Empreendedorismo, inovação, financiamento ou internacionalização são alguns temas que vão estar em debate esta semana em Lisboa, além de rondas de negócios.

As associações setoriais envolvidas neste evento representam 100 países, mais de 20 mil empresas e cerca de 90% do mercado global do setor, de acordo com dados da ANETIE.

Segundo dados da consultora IDC, depois de cinco anos de quebra, espera-se que as tecnologias de informação cresçam 5% este ano e promovam investimentos na ordem dos 3,25 mil milhões de euros.