O Presidente da AICEP, Pedro Reis, destacou, em declarações à agência Lusa em Washington, o atual momento das exportadoras portuguesas, defendendo que estas empresas «levaram o país ao colo» e «puxaram por toda uma economia».

O responsável da AICEP - Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, que integra a comitiva da missão de captação de investimento a decorrer até sexta-feira nos Estados Unidos liderada pelo ministro da Economia António Pires de Lima, comentava desta forma as estatísticas do comércio internacional divulgadas na terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

«É importante olhar para o mês de outubro em termos das exportações portuguesas, mas já é o momento de olhar para o ano, que está quase a terminar, e em que as exportações portuguesas realmente puxaram por todo um país e puxaram por toda uma economia», enalteceu Pedro Reis, em declarações à Lusa na terça-feira à noite.

«As nossas exportadoras levaram o país ao colo nestes dois anos difíceis que o país teve e é chegado o momento, a meu ver, do país reconhecer isso e levar as exportadoras em ombros», reforçou o presidente da AICEP.

Para Pedro Reis, estas empresas conseguiram «retirar Portugal de uma situação muito difícil», mas também «resgatar o seu futuro» e «dar de volta ao país confiança na sua economia e consciência de que há um caminho que é possível trilhar, que elas já o fizeram, e que nos pode levar de novo à senda do crescimento».

Segundo os indicadores do INE, as exportações portuguesas registaram um abrandamento na taxa de crescimento entre outubro e setembro deste ano, mas, em termos homólogos, registaram um aumento de 4,2%.

No total, as exportações portuguesas ascenderam em outubro a 4.218 milhões de euros, «o terceiro melhor mês de exportações do ano», depois de maio e julho, segundo realçou Pedro Reis.

Em termos mensais, a venda de bens ao exterior aumentou 7,2% face a setembro.

Para os Estados-membros da União Europeia (UE) foram exportados cerca de 2.934 milhões de euros (mais 3,9% face ao período homólogo e mais 5,4% face a Setembro) e, para os países extra-UE, 1.284 milhões de euros (uma subida homóloga de 4,7% e de 11,5% em termos mensais).

«Quando olhamos para o ano, vemos um crescimento consolidado nas exportações de bens de 4% e encontra-se lá todos os melhores objetivos que se podiam definir para um país em termos de abertura da economia e para um país que se quer posicionar nos mercados externos, seja na internacionalização, seja na exportação, seja na captação de investimento que virá para Portugal, que é isso que estamos a fazer nos Estados Unidos», disse o responsável.

De acordo com Pedro Reis, em 2013, as exportadoras portuguesas conseguiram atingir todos os objetivos importantes.

Um deles foi, segundo o responsável, a consolidação das exportações para a Europa, nomeadamente «assegurar que não existisse um naufrágio nas exportações para Espanha, um mercado que vale 20% das exportações portuguesas totais». As exportações para o 'país vizinho' cresceram 7%, precisou o líder da AICEP.

As outras metas alcançadas pelas exportadoras portuguesas foram a diversificação de mercados, ¿porque as próximas décadas são as décadas do resto do mundo¿, e a integração de «valor acrescentado nacional e de intensidade tecnológica», salientou Pedro Reis.

Já a pensar em 2014, o presidente da AICEP referiu que o próximo ano deve ser encarado «com cautela, objetividade, sensatez».

«O nosso crescimento, o futuro e a capacidade da economia portuguesa ressuscitar joga-se fora do país e é fundamental, e temos a obrigação, de acompanhar esse esforço das empresas, de o facilitar, de o lubrificar e isso faz-se nestas oportunidades, nestas missões» em mercados internacionais, como é o caso dos Estados Unidos.