A Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) acredita que se mais nada acontecer na Tunísia vai haver condições para que as operações ainda previstas se façam, com o mercado a recuperar rapidamente.

Na sexta-feira passada, Seifeddine Rezgui, um tunisino de 23 anos, tirou uma arma Kalashnikov de dentro de um guarda-sol e começou um massacre na praia e junto à piscina de um hotel de Sousse, provocando a morte a 38 turistas, entre as quais uma portuguesa. A maioria das vítimas mortais era de nacionalidade britânica.

Após o ataque, a APAVT anunciou que os operadores turísticos em Portugal optaram por cancelar as viagens que já tinham vendido para Enfidha-Hammamet, na Tunísia.

"Tínhamos três operações para a Tunísia, uma mais próxima da zona acidentada, que foi imediatamente cancelada e reembolsados todos os agentes de viagens, e existe uma em voo regular da Tunisair para Tunis e outra operação fretada para Djerba, com saídas de Lisboa e Porto”, disse o presidente da APAVT, à margem do almoço comemorativo do 65.º aniversário da associação, em Lisboa.

“Quer a operação da Tunisair quer a de Djerba mantém-se, até porque não têm relação - para além do nome do país. Estão em situações geográficas e em situações completamente diferentes e, portanto, os operadores não viram razão para cancelar e não há razão legal para se cancelar sem reembolsos. Desse ponto de vista é 'business as usual'", acrescentou.


Pedro Costa Ferreira afirmou que o que a experiência lhes ensinou é que "o mercado reage com muita violência no início", logo haverá "um período sem reservas e com muitos pedidos de cancelamento", mas que, "não acontecendo mais nada, o mercado recupera rapidamente porque o mundo é um mundo perigoso e acontece em todo o lado".

"Estamos na fase em que o mercado reagiu violentamente, não é novo e não era inesperado, esperemos chegar rapidamente a um momento mais normalizado. Se nada acontecer, julgo que ainda haverá condições para fazer as operações", sublinhou o responsável.


Na terça-feira, o Presidente da Tunísia, Beji Caid Essebsi, admitiu que o país não estava preparado para o massacre ‘jihadista’ que ocorreu na sexta-feira passada.

Numa entrevista transmitida pela rádio francesa Europe 1, Essebsi afirmou que a segurança tinha sido reforçada noutras áreas para o sagrado mês muçulmano do Ramadão, época em que em anos anteriores se registou violência por parte de grupos islâmicos, mas que as autoridades não esperavam que as praias fossem um alvo.

“É verdade que fomos surpreendidos por este incidente”, disse Essebsi à Europe 1, acrescentando que “a polícia fez planos para o mês do Ramadão, mas nunca pensou que seria necessário fazê-lo para as praias".

Os comentários de Essebsi foram feitos um dia antes de a Tunísia reforçar a polícia de turismo com 1.000 oficiais armados, ao longo da sua costa Mediterrânica, numa tentativa de tranquilizar os turistas europeus e limitar os danos para a indústria turística.

Na segunda-feira, a ministra do turismo, Selma Elloumi Rekik, disse aos jornalistas que temia que a Tunísia perdesse um bilião de dólares (cerca de 1,2 mil milhões de euros) em ganhos turísticos este ano.

Em três meses, este foi o segundo ataque ‘jihadista’ que teve como alvo turistas na Tunísia. Em março passado, um ataque no Museu Nacional do Bardo, na capital, matou 22 pessoas.