A agência de notação financeira Fitch manteve esta sexta-feira em BB+ a classificação da dívida pública de Portugal, que atribuíra em abril e reafirmara em outubro, e a apreciação positiva da sua perspetiva, refere em comunicado.

Porém, a base da análise e as perspetivas de futuro estão sujeitas a um conjunto de alertas e riscos.

Ao contrário, a Fitch espera que as próximas eleições legislativas não tragam «um desvio relevante de política», uma vez que «os dois principais partidos (PSD e PS) são pró-europeus», além de que «não há partido populista ou antieuropeu que tenha atraído apoio significativo nas sondagens de opinião».

Com sentido oposto, a Fitch aponta vários riscos, económicos e orçamentais, que descompensam aqueles desenvolvimentos considerados positivos.

Desta forma, a agência entende que «os objetivos governamentais para a redução do défice orçamental estão em risco», adiantando que, na sua perspetiva, «Portugal não deve corrigir o seu défice excessivo», colocando-o abaixo dos 3% do produto interno bruto em 2015, depois de 4,5% em 2014.

Por outro lado, a Fitch espera «a diminuição do ritmo geral da consolidação» orçamental.

Em terceiro lugar, a agência de rating declara que «o reequilíbrio da economia foi menor do que esperava» quando reviu a perspetiva de Portugal em abril de 2014.

Ainda neste registo crítico, é apontado que «a dinâmica subjacente à dívida pública enfraqueceu a médio prazo com a prevista diminuição da redução da dívida».

Em termos agregados, a Fitch identifica algumas variáveis que podem determinar, em conjunto ou individualmente, a variação da nota no sentido positivo ou negativo.

Em relação às possibilidades positivas, menciona-se, em primeiro lugar, a melhoria da dinâmica da dívida e uma clara tendência descendente na dívida pública bruta; depois, a mesma tendência nas perspetivas económicas de médio prazo, que conduza à redução do desemprego e ao desendividamento do setor privado; e, por fim, a continuação do progresso na redução dos desequilíbrios externos.

Do lado dos riscos, a Fitch aponta um enfraquecimento no ritmo da consolidação orçamental; a continuação do fraco crescimento económico ou mesmo deflação, que prejudique o desendividamento das empresas ou tenha impacto negativo no setor bancário ou nas finanças públicas; e a incapacidade de corrigir os desequilíbrios externos.

Toda a análise da Fitch assenta em alguns pressupostos.

O seu cenário base é o da manutenção da Grécia na Zona Euro, se bem que a sua saída, designada Grexit em Inglês, seja «um risco material». A este propósito, a Fitch adianta que «se bem que a saída da Grécia representaria um choque significativo para a Zona Euro, que poderia suscitar uma volatilidade dos mercados financeiros e reduzir a confiança, não acredita que precipite uma crise sistémica, como a vista em 2012, ou uma rápida saída de outro país».

Esperado é também o reforço das expectativas de inflação em resultante do programa de compra de ativos pelo Banco Central Europeu, bem como a fuga da Zona Euro à deflação.

A Fitch termina o comunicado avisando que, de acordo com a sua política, a entidade notada teve conhecimento da classificação atribuída inicialmente, o que lhe suscitou um apelo e o fornecimento de mais informação, permitindo que a nota agora divulgada seja diferente da que saiu originalmente do seu comité de rating.