A consultora britânica Focus Economics considerou esta quarta-feira que Angola vai sair da "recessão prolongada" dos últimos dois anos e crescer 1,9% este ano e 2,3% em 2019, com as reformas a merecerem a confiança dos investidores.

"Uma rápida recuperação económica no princípio de 2018, no seguimento de uma recessão prolongada nos últimos dois anos, não parece provável, de acordo com os indicadores económicos disponíveis", escrevem os analistas desta consultora britânica.

Na análise mensal às economias africanas, enviada aos investidores e a que a Lusa teve acesso, a Focus Economics acrescenta que "apesar de melhorar ligeiramente face ao trimestre anterior, o indicador de clima económica permaneceu em território negativo no primeiro trimestre, onde está há mais de dois anos".

O sentimento negativo baseia-se na deterioração das principais indústrias do país, como o setor extrativo e a manufatura, para além da construção e do comércio.

Ainda assim, notam os analistas, "o programa de estabilização macroeconómico, recentemente introduzido pelo Governo, focado em melhorar o ambiente de negócios através da redução do défice e consolidação da dívida, bem como da flexibilização da taxa de câmbio, tem sido recebido positivamente pelos investidores internacionais".

A economia deve sair da recessão este ano, "alicerçada no aumento dos preços para a principal matéria-prima que Angola exporta", notam os analistas, vincando que "as medidas de consolidação orçamental e a transição para uma taxa de câmbio flexível, em conjunto com o empenho do Governo na redução da dívida pública, devem alimentar o crescimento do investimento".

No conjunto, as economias da África subsaariana deverão crescer 3,5% este ano, acelerando ligeiramente para 3,7% em 2019, com Etiópia, Costa do Marfim, Gana e Tanzânia a liderarem o crescimento.

"As previsões para as economias da África subsaariana mantiveram-se este mês e o PIB regional deve crescer 3,5% em 2018", lê-se no relatório desta consultora britânica, que alerta para os desafios que a região enfrenta.

Entre os riscos apontados, os analistas sublinham "os grandes volumes de dívida, que tornam os países especialmente vulneráveis às flutuações nos mercados financeiros internacionais, e o forte abrandamento no crescimento da China, que pode manietar a atividade na região e a procura pelos recursos minerais do continente".