A adesão à greve dos trabalhadores da Groundforce "foi bastante acima do esperado" e, às 20:00 deste domingo, rondava os 90% no aeroporto de Lisboa, disse à Lusa fonte do sindicato.

"Durante a tarde, no terminal [aeroporto de Lisboa], apenas entrou um trabalhador efetivo dos que estavam previstos. Na área de placa a adesão manteve-se nos 90% e na área de passageiros subiu também para os 80%", afirmou à Lusa Fernando Henriques, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (SITAVA).
 

"No terminal, temos a esta hora cerca de 2.500 bagagens que não acompanharam o passageiro e o voo respetivo, o que demorará cerca de uma semana, em condições normais, a escoar".


Na área de placa, "os atrasos já são de horas, há voos com mais de três horas de atraso", disse, sublinhando que os "efeitos da greve, em termos de bagagem e carga, vão ser sentidos ao longo dos próximos dias".

Contactado pela agência Lusa, o porta-voz da Groundforce afirmou que "a operação decorreu normalmente, para o mês de agosto, sem atrasos, nem cancelamentos de voos".

Para Fernando Henriques, o menor impacto da greve nas operações aeroportuárias, com menos cancelamentos e atrasos muito menores "do que aquilo que seria normal com uma adesão destas", explica-se pelo recurso da empresa aos cerca de 800 trabalhadores precários do setor, que foram chamados em período de folga a trabalhar, e às chefias.
 

"Cerca de um terço dos trabalhadores precários, de folga, veio trabalhar este fim de semana (...) e, à tarde, administradores, diretores de operações, diretores de recursos humanos andaram hoje a carregar aviões, a tirar bagagens do tapete, a levar bagagens para aviões, supervisores da área de passageiros que estiveram a fazer check-in, alguns setores da TAP que estiveram a fazer o nosso serviço".


As três empresas - TAP, ANA e Groundforce - conseguiram os seus objetivos, que era evitar os cancelamentos, mas "a mensagem dos trabalhadores foi inequívoca", acrescentou.

Os trabalhadores da SPdH - Serviços Portugueses de Handling (Groundforce Portugal) contestam a "postura de desrespeito" da empresa de assistência em terra e reivindicam a revisão dos horários de trabalho e dos salários e o fim da precariedade laboral.

Fernando Henriques afirmou que o SITAVA vai apresentar queixa-crime pela violação da lei da greve. "Não é a primeira vez que o fazemos. Todos os fundamentos da primeira queixa (a 15 de agosto de 2013 e cujo o processo ainda a decorrer) estão presentes nesta", disse.

A utilização de trabalhadores que não estavam ao serviço da empresa à data da apresentação do pré-aviso de greve, o facto de terem trabalhadores, como as chefias, que estão a fazer trabalho para o qual não estão qualificados, a substituição de grevistas por outra empresa, no caso a empresa concorrente, a Portway, a violação do direito dos sindicatos de designação dos serviços mínimos, referiu.

O sindicato vai também apresentar uma participação à Autoridade Nacional da Aviação Civil relativa à violação da segurança aeroportuária, com a entrada de trabalhadores numa área restrita sem estarem autorizados.

"Há uma panóplia de irregularidades e ilegalidades que o sindicato compilou ao longo deste fim de semana" em que decorreu a greve, iniciada às 00:00 de sábado e que termina este domingo.

A empresa de assistência em terra, nos aeroportos de Lisboa, Porto, Funchal e Porto Santo é detida em 49,9% pela TAP e em 50,1% pela Urbanos.