O presidente da Câmara da Maia, Bragança Fernandes, apelou hoje ao Governo para que não deixe a TAP abandonar o aeroporto do Porto, defendendo até um “incremento das suas ligações” diretas de e para o aeroporto Francisco Sá Carneiro.

“Agora que o Estado tem 50% da TAP é importante que o Governo não deixe [a companhia aérea nacional] tirar rotas do aeroporto”, que fica situado na Maia, disse Bragança Fernandes.

Para o autarca, a suspensão de quatro ligações de médio curso (Europa) de e para o aeroporto do Porto a partir de março “é um assunto tão importante, tão profundo, não só para o Porto mas para toda a região”.

Bragança Fernandes disse que “o que está a acontecer é muito grave” e o assunto “deve ser liderado pela Área Metropolitana do Porto”, que já pediu uma reunião à administração da TAP.

“Não podemos dar tiros para o ar. Isto é importante demais e não deve ser tratado por um ou dois presidentes de câmara, mas a uma só voz”, sustentou.

Sublinhando a importância do Norte no Produto Interno Bruto (PIB), Bragança Fernandes entende que qualquer alteração de programação de voos “deve ser dada a conhecer à região”. Bragança Fernandes referiu ter já recebido “queixas” sobre estas suspensões de empresas estrangeiras instaladas na Maia, exatamente pela proximidade ao aeroporto.

A TAP anunciou a 18 de janeiro a suspensão dos voos entre o Porto e Barcelona (Espanha), Roma e Milão (Itália) e Bruxelas (Bélgica) a partir do dia 27 de março, alegando que estas rotas são deficitárias.

A Câmara do Porto denunciou esta semana que também a ligação noturna de Gatwick (Londres, Inglaterra) é suspensa a partir de março.

Bragança Fernandes, que ainda não recebeu resposta ao pedido de reunião que fez em janeiro ao ministro das Infraestruturas, Pedro Marques, voltou a criticar o facto de serem dados incentivos às companhias ‘low-cost’ que “custam aos contribuintes”.

“Esta questão da suspensão dos voos da TAP tem de ser ponderada. Não devem ser suspensos mas incrementados”, concluiu.

O presidente da Câmara do Porto, o independente Rui Moreira, acusou hoje a TAP de ter em curso uma estratégia para “destruir o aeroporto Francisco Sá Carneiro”, com vista a construir em Lisboa “um novo aeroporto e uma nova ponte”.

“A estratégia da TAP é um insulto à cidade do Porto e uma tentativa de destruir o aeroporto para construir um novo aeroporto, uma nova ponte e uma nova Expo [em Lisboa]. Isto é um problema de regime. Temos sido uns carneiros e temo-nos iludido com promessas sucessivas. O TGV vai acabar por ser Lisboa-Madrid. A terceira ponte [sobre o Tejo] é um grande objetivo do regime”, afirmou Rui Moreira em reunião pública do executivo.

No final de janeiro, o Conselho Metropolitano do Porto decidiu “chamar” a administração da TAP para “explicar o que se está a passar” para ter decidido suspender quatro ligações de médio curso (Europa) de e para o Porto.

“Não aceitamos e não admitimos qualquer enfraquecimento de uma estrutura tão importante como é o aeroporto Francisco Sá Carneiro”, disse o presidente do CmP, Hermínio Loureiro.

Para Hermínio Loureiro, “há aqui qualquer coisa que não está a correr de acordo com a estratégia que nos foi apresentada” e por isso os autarcas da AMP querem “ouvir de viva voz a TAP”.