A TAP não tem “especificamente uma boa notícia" sobre os preços nos voos para a Madeira. O presidente executivo da transportadora aérea, Fernando Pinto, diz que o assunto "tem sido estudado", mas a solução ainda não será encontrada no próximo ano.

Discursando no 1.º Encontro Internacional de Aviação dos Países Lusófonos, a decorrer em Lisboa, o presidente do Instituto para a Promoção da América Latina e Caraíbas, Paulo Neves, recordou ser também deputado eleito pela Madeira no Parlamento e criticou os preços altos praticados pela TAP.

Presente no evento, Fernando Pinto disse entender o problema e que é preciso fazer alguma coisa. 

Sabemos que algo deve ser feito e estamos, com criatividade, a ver o que pode ser algum tipo de atuação diferenciada pelo menos nas grandes festas, nos períodos mais críticos, sobretudo para os estudantes, para quem é um problema mais sério”.

Para o líder da TAP, “os residentes estão protegidos até determinado ponto, os estudantes são os mais críticos”.

Outra "grande preocupação"

Fernando Pinto mostrou “grande preocupação”,por outro lado, por apenas existir uma alternativa ao aeroporto de Lisboa em 2021, o que pode atrasar a velocidade de crescimento da companhia aérea, pontuando que é “mais fácil o crescimento de uma frota de aviões” do que de um aeroporto, mas que “realmente (a TAP) vai ficar limitada”.

Uma empresa aérea que não consegue crescer, tem dificuldade, inclusive, com o seu futuro, porque em termos de ganhos de eficiência, o grande ganho que se tem é através do crescimento e é nisso que apostamos”, disse aos jornalistas, repetindo o que já tinha dito no seu discurso.

“O ‘hub’ [centro estratégico] de Lisboa tem hoje um uso grande dos ‘slots’ (intervalos de tempo de movimentos na pista de aviões) e começa a mostrar dificuldades em ter a velocidade de crescimento que a TAP e outras empresas têm, com base no sucesso do turismo em Portugal e da própria TAP”, afirmou, no seu discurso, Fernando Pinto, comentando que a data prevista para a operação de uma pista alternativa é uma “grande queda em velocidade de crescimento”.

O presidente executivo referiu ainda os números atuais da TAP de 84 destinos em todo o mundo, cerca de 350 descolagens diárias e uma frota de 90 aeronaves, assim como recordes batidos no transporte.

Em 15 de setembro, a companhia registou o recorde de transporte diário de passageiros (50 mil) e, em termos acumulados e na comparação homologa, contabiliza mais dois milhões de passageiros.

Imaginamos chegar a 14 milhões de passageiros transportados neste ano. A TAP tem seguido um caminho de constante crescimento, adequação e uma busca de adaptação a novas condições do mercado”.

Na mesma sessão, Paulo Neves, presidente do Instituto para a promoção da América Latina e Caraíbas, considerou que “recusar ‘slots’ não é aceitável porque se perde negócio”.

“Não estamos a falar de politiquices, mas de politica estratégica. A demora do SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras) é inaceitável, muitas companhias não poderem trazer mais turistas é inaceitável, porque ainda por era uma situação previsível”, argumentou.

Instado a comentar situações difíceis vividas por algumas companhias aéreas de baixo custo, o presidente da TAP notou as dificuldades que as empresas vivem. “Respeitamos essas dificuldades, quanto ao aspeto do mercado a TAP é uma empresa que tem um nível de agressividade grande a nível de preços e de produto e de novas rotas. Esse é o caminho que vamos seguir”, garantiu.