A greve dos trabalhadores da Portway no Aeroporto do Porto, que hoje começou e que se manterá por tempo indeterminado, entre as 05:00 e as 07:00 e no trabalho suplementar, teve “um impacto inferior” ao esperado.

De acordo com um dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (SITAVA), a paralisação, que visa protestar contra o despedimento coletivo de 257 funcionários da empresa de handling, não provocou perturbações nem atrasos nos voos.

Em declarações à agência Lusa, Mário Cardoso justificou a fraca adesão a este primeiro dia de greve com o facto de estarem de serviço trabalhadores que estão em part-time na empresa.

“Há faltas em determinados setores, são números significativos, mas não houve o impacto que esperávamos. É significativo por setores, mas não no geral, porque são trabalhadores que só trabalham três horas e meia”, admitiu o dirigente do SITAVA, referindo que nos próximos dias a situação possa alterar-se.

Em causa está o despedimento coletivo de 257 trabalhadores anunciado a 23 de março pela Portway - empresa de 'handling', que presta assistência a passageiros e bagagens em escala -, na sequência do fim da prestação de serviços à companhia aérea Ryanair nos aeroportos de Faro, Lisboa e Porto.

Segundo o SITAVA, no Porto serão abrangidos pelo despedimento 121 trabalhadores (44 com efeitos a 15 de julho e os restantes a 31 de outubro), enquanto em Faro serão 54 os funcionários afetados e, em Lisboa, 81, em ambos os casos com saída agendada para o final de outubro.

A greve no Aeroporto do Porto – que precede a já anunciada para segunda-feira nos três aeroportos do país, entre as 08:00 e as 15:00, e uma greve também por tempo indeterminado a iniciar na próxima terça-feira, entre as 08:00 e as 11:00, no Aeroporto de Lisboa - visa denunciar a “fraude”, a “ilegalidade e a cumplicidade” da Autoridade Nacional de Aviação Civil (ANAC), da Portway e do Governo.

“Apontamos três grandes responsáveis por esta intenção de despedimento: o grupo Vinci/Portway, a ANAC e o Governo, porque há da parte de todas estas entidades cumplicidade no sentido de permitir a ilegalidade e a fraude que neste momento a Groundlink comete com a Ryanair e que está na base do despedimento coletivo”

Esta explicação é do dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos, Fernando Henriques, segundo o qual a não renovação dos contratos entre a Ryanair e a Portway (após esta ter comunicado à companhia aérea a intenção de renegociar em alta os valores cobrados pelo ‘handling’) só aconteceu porque a Ryanair “sente que pode fazer no Continente aquilo que faz hoje em Ponta Delgada”, numa situação de “clara fraude à lei da assistência em escala”.

“Em Ponta Delgada a Ryanair tem um falso ‘selfhandling’ (autoassistência), que na prática é assegurado pela Groundlink, que só está licenciada para a assistência a passageiros”, denunciou, salientando que esta empresa, ao contrário do que está previsto na lei, “não tem qualquer contratação coletiva” e presta o serviço à Ryanair por um valor que “ronda os 270 euros” porque “é garantido por trabalhadores que vão lá fazer duas horas por dia e que trabalham duas horas para uma empresa e outras duas para outra”.

Reclamando a intervenção da tutela, o SITAVA afirma que “a atuação da parte de qualquer uma das três entidades – Portway/Vinci, ANAC ou Governo - poderá a qualquer momento levar a suspender, anular ou cancelar a greve”, que pode assim manter-se “por uma semana, por duas ou por um mês”.

“Porque a Ryanair só tomou esta atitude de deixar de ser assistida pela Portway por perceber que há um caminho – o da ilegalidade – em que não tem que cumprir contratação coletiva e pode pagar salário mínimo a recibos verdes, o que traz um custo para a sua operação abaixo do que paga hoje na Portway”, sustenta o sindicato.