A ANA - Aeroportos de Portugal e a empresa portuguesa AeroNeo assinam na sexta-feira uma licença para construção e exploração de uma unidade industrial de manutenção e desmantelamento de aeronaves, no aeroporto da cidade.

A cerimónia de assinatura da licença vai decorrer a partir das 11:30 no aeroporto de Beja e contar com a presença do secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações, Sérgio Monteiro.

Em declarações à agência Lusa, o vereador da Câmara de Beja, Manuel Oliveira, e o presidente da Associação Empresarial do Baixo Alentejo e Litoral, Filipe Pombeiro, congratularam-se com o avanço do projeto da AeroNeo, anunciado em 2012, considerando tratar-se de um investimento "importante" para o desenvolvimento do aeroporto e da região.

Depois de "muito tempo de alguma apatia e quase indiferença em relação à utilização" da infraestrutura aeroportuária alentejana, o município "espera" que o projeto da Aeroneo "seja o início de uma nova fase e de um novo olhar para o aeroporto de Beja para que no futuro se afirme, de facto, como uma infraestrutura a favor do desenvolvimento da região".

"É evidente que isto não pode ser tratado de forma separada das acessibilidades", alertou o autarca, defendendo: "Criem-se boas vias de comunicação, haja vontade de colocar o aeroporto de Beja a funcionar e, seguramente, os empresários, a iniciativa privada e a região saberão dar resposta positiva à utilização da infraestrutura".


Para o presidente do núcleo empresarial, o projeto da AeroNeo é "o verdadeiro primeiro passo que está a ser dado no aeroporto de Beja na área da indústria aeronáutica e no sentido da rentabilização" da infraestrutura.

Trata-se de "um projeto muito importante para a rentabilização do aeroporto de Beja", cuja "sustentabilidade passa pela indústria aeronáutica", e para a região, porque "vai implicar um investimento avultado e criar vários postos de trabalhos, dos quais muitos serão altamente especializados", frisou Filipe Pombeiro.

O aeroporto de Beja, que resulta do aproveitamento civil da Base Aérea n.º 11 e custou 33 milhões de euros, começou a operar a 13 de abril de 2011, mas, desde então, apesar de aberto, tem estado praticamente vazio e sem voos e passageiros na esmagadora maioria dos dias.

Segundo disse à Lusa, no passado mês de abril, fonte da ANA, nos primeiros quatro anos de vida do aeroporto de Beja, nenhuma companhia aérea de voos regulares mostrou interesse em usar a infraestrutura, porque a suspensão da maioria dos projetos turísticos previstos para o Alentejo "eliminou a relevância" do transporte de passageiros na infraestrutura.

Nos primeiros quatro anos, a atividade do aeroporto "limitou-se a algumas operações ´charter` e, essencialmente, a operações de aviação executiva", indicou a fonte, referindo que a infraestrutura também foi usada para "operações de manutenção exterior de aviões", enquanto as operações de carga foram "limitadas".