A Associação Empresarial de Portugal (AEP) disse hoje ter recebido sem “surpresa” o pedido de ajuda externa de Angola, considerando que “a modernização e diversificação da estrutura económica” do país abre “portas a novos negócios e a mais empresas”.

“Como decorre do pedido de assistência financeira ontem [quarta-feira] conhecido, a modernização e diversificação da estrutura económica de Angola vai abrir portas a novos negócios e a mais empresas. Constitui, por isso, uma oportunidade a ter em conta pelas empresas portuguesas que, tendo estado a vender no mercado angolano nos últimos anos, queiram capitalizar os investimentos e o conhecimento adquirido e passar a uma nova fase do seu processo de internacionalização”, sustenta a AEP em comunicado.

Reiterando tratar-se de “um mercado com futuro e valor estratégico” para as empresas portuguesas, a associação recorda que “há muito que acompanha de perto o funcionamento da economia em Angola e o relacionamento económico bilateral”.

“Por isso, não foi surpresa para nós a iniciativa do Governo angolano de pedir a assistência financeira do Fundo Monetário Internacional (FMI) para reestruturar e modernizar o sistema económico do país, tornando-o menos dependente das oscilações do preço do petróleo nos mercados internacionais”, refere.

Neste contexto, a AEP reafirma o seu “empenhamento” na organização de uma “participação digna” de Portugal na próxima Filda - Feira Internacional de Luanda, cuja 33.ª edição irá decorrer na capital angolana entre 19 e 24 de julho e que a associação considera ser uma oportunidade “para servir as mais de 9.400 empresas portuguesas que exportam para o mercado da África lusófona mais relevante para a economia nacional”.

“Temos estado a trabalhar em estreita articulação com a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) Portugal Global e procurado criar todas as condições para uma participação condigna do nosso país no certame. Inclusivamente, há já várias empresas portuguesas que connosco se comprometeram e outras que manifestaram interesse em participar nesta ação coletiva de promoção do país e delas próprias no exterior”, adianta.

Para a AEP, a participação das empresas portuguesas que têm investido na internacionalização na próxima edição da Filda justifica-se mesmo, hoje, “por redobradas razões”.

O FMI anunciou na quarta-feira que Angola solicitou um programa de assistência para os próximos três anos, cujos termos serão debatidos nas reuniões de primavera, em Washington, e numa visita ao país.

O Ministério das Finanças de Angola justificou o pedido com a necessidade de aplicar políticas macroeconómicas e reformas estruturais que diversifiquem a economia e respondam às necessidades financeiras do país, tendo hoje negado, numa "nota de esclarecimento" enviada à Lusa, que se trate de um resgate económico.

Na nota, o Governo angolano afirma que o pedido dirigido ao FMI será para beneficiar do Programa de Financiamento Ampliado (Extended Fund Facility - EFF), um instrumento financeiro "direcionado a reformas estruturais voltadas para a diversificação da economia, reforço da balança de pagamentos, com propósito cimeiro de fortalecer os pilares da sustentabilidade da nossa economia" e "ao contrário de programas de austeridade como, por exemplo, os programas para resgates económicos".