O jovem açoriano André Leonardo, que num ano percorreu 23 países e 100 mil quilómetros à procura de histórias inspiradoras, regressou este mês a Portugal e está a escrever um livro sobre a aventura.

André Leonardo, de 25 anos e natural de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, inspirou-se em Fernão Magalhães para uma volta ao mundo a recolher histórias de empreendedores e lutadores, ao mesmo tempo que promovia Portugal, os produtos nacionais e a cidade de Lisboa, no papel de primeiro embaixador da iniciativa «Lisbon Startup City».

Apenas com uma mochila, uma câmara de filmar e as bandeiras de Portugal e dos Açores, visitou cinco continentes, tendo ido desde Kibera, no Quénia, um dos maiores bairros de lata do mundo, a Silicon Valley, nos Estados Unidos, uma zona com grande concentração de empresas ligadas à tecnologia.

«Saí de Lisboa com 100 entrevistas marcadas, mas acabei por fazer mais de 140», explicou o jovem à agencia Lusa, que financiou a aventura com a ajuda de patrocinadores.

Leonardo conheceu pessoas como Bel Pesce, uma empreendedora brasileira que aos 26 anos é uma das 100 pessoas mais influentes do país, Yaron Inger, o israelita que criou a Face Tunes, a aplicação com mais downloads pagos, ou Eric Chrispin, que viu eletricidade pela primeira vez aos 10 anos e construiu depois um painel solar na sua aldeia na Tanzânia.

«Ele não sabia falar inglês e construiu o painel apenas olhando as imagens de um livro deixado por um voluntário europeu. Quando lhe perguntei como o tinha feito, disse-me: 'Tentei e consegui. Às vezes as coisas são mais fáceis do que pensamos'», lembrou o açoriano.

André Leonardo sempre se interessou por empreendedorismo. Em criança, cortou as flores do jardim da mãe para vender aos vizinhos e aos 15 anos vendia gelados na praia.

E há cerca de dois anos, começou a planear esta volta ao mundo.

«Deu trabalho, mas valeu muito a pena. O meu lema é 'difícil é diferente de impossível'. Tive reuniões com cerca de 100 instituições e empresas, para terminar com seis patrocinadores», explica.

O jovem conta que foi revistado pelas forças israelitas, fez uma visita inesperada à Palestina, enfrentou o mais violento tufão dos últimos 15 anos no Japão, um sismo de 6.6 no Chile, emagreceu oito quilos na Índia enquanto voluntário e foi assaltado em Moçambique, tendo ficado apenas com a roupa que tinha no corpo e com as bandeiras de Portugal e dos Açores.

«O feedback que recebi foi absolutamente incrível. Há empresas que querem vir para Portugal e me pedem ajuda, portugueses que querem exportar e me enviam e-mails. Esta viagem abriu-me um mundo de possibilidades», diz o jovem, que está a escrever um livro sobre a experiência, que deve ser publicado no próximo ano.