A Pharol, antiga PT e maior acionista da Oi, e o acionista minoritário Société Mondiale chegaram a um acordo para encerrarem disputas em torno do futuro do grupo brasileiro de telecomunicações, segundo fontes com conhecimento do assunto, citadas pela Reuters. 

Sob os termos do acordo, formalizado pelas duas partes no Rio de Janeiro, a Pharol vai apoiar a indicação do Société Mondiale de Hélio Costa e Demian Fiocca para membros do Conselho de Administração da Oi.

A Pharol ainda não comentou o assunto, bem como a Société Mondiale.

O clima de mau estar entre alguns acionistas da Oi subiu de tom nos últimos tempos, numa altura em que a operadora brasileira continua a aguardar o veredicto ao processo de recuperação judicial. Em causa, também, o fato do acionista Société Mondiale defender a realização de uma outra assembleia geral, em setembro, para votar a saída dos atuais administradores portugueses da Oi.

A Oi avançou com o maior pedido de recuperação alguma vez feito no Brasil. O total de dívida nas mãos de mais de 13 mil credores soma cerca de 17 mil milhões de euros. Esta companhia é o principal ativo da Pharol, a antiga PT SGPS.

O problema agrava-se para quem investiu em obrigações da antiga Portugal Telecom. É a Oi quem está responsável pelo reembolso. Os investidores correm cada vez mais risco de ver o dinheiro “por um canudo” ou, pelo menos, parte dele. O reembolso deveria acontecer a 26 de julho, mas não foi efetuado. O regulador do mercado decidiu prolongar a suspensão da negociação dessas obrigações no mercado secundário, o que se mantém.

A Pharol enfrenta, ainda, outro problema: o regulador do mercado de capitais norte-americano, Securities and Exchange Commission (SEC), anunciou que vai aplicar uma multa de 1,25 milhões de dólares (1,1 milhões de euros) à empresa devido à falta de informação adequada relacionada com a exposição da empresa aos ativos do Grupo Espírito Santo (GES) – sendo o caso mais relevante o investimento de 897 milhões em papel comercial da Rioforte que nunca foi reembolsado.