O parlamento grego decidiu aprovar o terceiro resgate ao país, depois de uma madrugada de intenso debate. A maioria dos deputados (222) votou a favor, 64 votou contra e houve 11 abstenções.

A votação esteve longe de ser pacífica, e é um forte golpe vindo do seu próprio partido. É que 43 deputados, ou quase um terço dos deputados do Syriza votaram contra ou abstiveram-se, um número bem maior do que as três dezenas de deputados que votaram contra as refomas, no mês passado.

Isto deixa Tsipras numa posição muito desconfortável, ele que vai pedir um voto de confiança no parlamento grego depois de Atenas fazer o reembolso ao BCE que vence a 20 de agosto.
 
No discurso que precedeu a votação, o primeiro-ministro grego, disse que o acordo para o terceiro resgate do país como uma “escolha forçada” do governo, tomada depois de “esgotar todas as vias de negociação”. 

Tsipras explicou que teve de escolher entre um programa de ajuda com o euro ou o dracma como moeda nacional. 

“Perante um ultimato para a saída temporária da Grécia da zona euro, tomámos a responsabilidade perante o povo grego de nos mantermos vivos e continuarmos a luta em vez do suicídio (a saída do euro)”, afirmou esta manhã Tsipras num discurso no parlamento, numa sessão que se estendeu durante toda a madrugada e que deverá terminar com a votação do acordo. 

O ex-ministro das Finanças, Yannis Varoufakis, votou 'não' e com eles estiveram alguns deputados do Syriza. A votação, que começou esta madrugada com grande atraso devido a questões sobre o processo parlamentar, é um requisito que as instituições fixaram como prelúdio da decisão do Eurogrupo.

Em causa está a aprovação de um acordo sobre o plano de ajuda de 85 mil milhões de euros, o terceiro desde 2010, em troca de medidas de poupança drásticas.

A intenção do governo grego é a de permitir a entrada em vigor do novo plano de ajustamento antes de 20 de agosto, data em que a Grécia deve proceder a mais um reembolso ao Banco Central Europeu (BCE) no montante de 3,4 mil milhões de euros.

O Fundo Monetário Internacional voltou esta quinta-feira à noite a pressionar a Europa, para aliviar a divida publica grega. O FMI insiste que a economia grega só pode tornar-se sustentável, se parte da divida for perdoada. 

A chefe da missão do FMI para a Grécia garantiu que o Fundo Monetário Internacional  se compromete a dar financiamento extra, caso os parceiros europeus aceitem aliviar a divida grega que estará nesta altura a rondar os 200% do PIB. 

Eurogrupo vai reunir-se esta sexta-feira para tentar viabilizar o acordo alcançado na terça-feira entre a Grécia e os credores internacionais para um terceiro resgate.