A Confederação Empresarial de Portugal (CIP) e a Confederação Espanhola de Organizações Empresariais (CEOE) assinaram hoje um acordo estratégico, a apresentar aos governos dos dois países, para otimização dos sistemas ibéricos de eletricidade e gás natural.

Estabelecido durante a Cimeira Empresarial Portugal-Espanha, o acordo de cooperação centra-se «quer nas áreas de operação técnica e comercial, quer, especialmente, na prioridade a dar às interligações das redes elétricas e de gás natural existentes na Península Ibérica com as do resto da Europa».

Segundo se salienta nas conclusões do encontro empresarial bilateral, a que a agência Lusa teve acesso, estas interligações, são «absolutamente indispensáveis para que Espanha e Portugal se integrem efetivamente nos respetivos mercados a nível europeu».

Da reunião entre empresários portugueses e espanhóis resultou ainda a necessidade de, no plano orçamental, a integração europeia prever um «aprofundamento da partilha de soberanias» no sentido de se encontrarem «formas de mutualização das dívidas soberanas que afastem definitivamente a emergência de novas crises».

«É necessária uma melhor e mais efetiva coordenação, de modo a alcançar uma saudável correção dos desequilíbrios macroeconómicos no seio da União Europeia», lê-se no documento, que refere que «a correção destes desequilíbrios tem sido feita exclusivamente pelo esforço dos países deficitários», mas, no futuro, «terá de ser sustentado também por aqueles que têm vindo a acumular excedentes externos».

No plano financeiro, CIP e CEOE apontam a União Bancária como «prioridade, dado o seu importante papel na eliminação da fragmentação do mercado financeiro da União Europeia», defendendo um «mecanismo comum europeu de garantia dos depósitos» e a «retirada» da proposta relativa ao imposto sobre as transações financeiras.

Já ao nível da política industrial, as organizações empresariais concordam que para atingir o «objetivo ambicioso» de aumento do peso da indústria no PIB de 15,3% para 20% em 2020 os líderes europeus «têm de corrigir rapidamente os estrangulamentos que comprometem a competitividade da indústria europeia, nomeadamente no que diz respeito ao acesso ao financiamento, à carga administrativa e burocrática que pesa sobre as empresas e à fiscalidade».

«É preciso que outras políticas, em especial a política comercial e as políticas ambiental e energética sejam compatíveis com o desígnio da reindustrialização», sustentam.

Quanto às relações com países terceiros, CIP e CEOE defendem uma «política ambiciosa de acordos de parceria», nomeadamente a negociação rápida de um Acordo de Parceria de Comércio e Investimento, «que vá para além da cooperação regulatória e da transparência, incluindo questões específicas como a das restrições às exportações de energia, a regulamentação dos serviços financeiros, a contratação pública e um mecanismo de resolução de conflitos que facilite a interação entre investidor e Estado».

Apelam ainda à «conclusão breve e bem-sucedida» do Pacote da Modernização dos Instrumentos de Defesa Comercial para «combater as práticas desleais do comércio de países terceiros e restaurar as condições de funcionamento do mercado».

No plano das infraestruturas e logística, as confederações apontam um «défice particularmente notório» ao nível das ligações ferroviárias, elegendo como «prioritárias» as ligações ferroviárias de transporte de mercadorias nos corredores de Aveiro/Vilar Formoso/Irún e de Sines/Setúbal à fronteira com a França, passando por Madrid e, no eixo atlântico, a ligação Porto/Vigo.