O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, considerou hoje que o PS tomou a decisão «mais correta» ao rejeitar um acordo com o PSD e o CDS-PP, no âmbito de um compromisso de salvação nacional.

«Perante este desfecho [relativamente a uma futura decisão), ao Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, não resta outro caminho senão convocar eleições antecipadas», disse à Lusa Arménio Carlos, numa reação à posição hoje assumida pelo secretário-geral do PS, António José Seguro, que acusou o PSD e o CDS de terem «inviabilizado» o acordo de salvação nacional proposto pelo Presidente da República.

António José Seguro comunicou esta posição dos socialistas numa «declaração ao país», cerca de uma hora antes de se iniciar a Comissão Política Nacional do PS.

«O PSD e o CDS inviabilizaram um compromisso de salvação nacional. Este processo demonstrou que estamos perante duas visões distintas e alternativas para o nosso país: Manter a direção para que aqueles que, como o PSD e o CDS, entendem que está tudo bem; ou dar um novo rumo a Portugal para aqueles que, como nós, consideram que portugueses não aguentam mais sacrifícios e que esta política não está a dar os resultados pretendidos», justificou o secretário-geral do PS na sua declaração inicial.

Perante esta tomada de posição do PS, Arménio Carlos considerou que «o Presidente da República estava a tentar encontrar uma saída tipo ovo de colombo. Uma coligação com o PSD e o CDS-PP comprometeria o futuro do PS nos próximos tempos e, nesse sentido, o PS escolheu a possibilidade mais correta».

A Intersindical tem vindo a reinvindicar a realização de eleições antecipadas, uma possibilidade que Cavaco Silva rejeitou na comunicação ao país feita a 10 de julho, na sequência do pedido de demissão do Ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, no dia 02 de julho.

No entender de Arménio Carlos, «mais do que pensarmos na opinião de cada um, o Presidente da República tem de preservar a opinião da esmagadora maioria dos portugueses, que não está de acordo com a política deste Governo».

«Trata-se de um Governo apostado em acentuar as políticas de recessão e austeridade. Persistir no erro é conduzir o país para o precipício. Os interesses nacionais não podem subjugar-se aos interesses da direita», reiterou Arménio Carlos.

No dia 10 de julho, o Presidente da República propôs, numa comunicação ao país, um «compromisso de salvação nacional» entre PSD, PS e CDS que permita cumprir o programa de ajuda externa e eleições antecipadas a partir de junho de 2014.

Cavaco Silva considerou também «extremamente negativo para o interesse nacional» a realização imediata de eleições legislativas antecipadas.

A declaração do Chefe de Estado surgiu depois de ter ouvido todos os partidos com representação parlamentar e os parceiros sociais.