Os 160 Estados-membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) aprovaram esta quinta-feira o lançamento de um acordo aduaneiro que pretende dinamizar o comércio mundial e criar cerca de 21 milhões de postos de trabalho.

O acordo, considerado como histórico, surge após vários meses de impasse.

O documento pretende simplificar os procedimentos aduaneiros e poderá dar um novo impulso ao comércio mundial, com um acréscimo na ordem dos 801 milhões de euros (mil milhões de dólares), de acordo com as estimativas do Peterson Institute for International Economics.

O instituto com sede em Washington também prevê que o novo acordo vá criar cerca de 21 milhões de postos de trabalho, a grande maioria (18 milhões) em países em desenvolvimento.

«Saímos hoje de um impasse, que paralisou o nosso trabalho, e estamos de volta à direção necessária», saudou o diretor-geral da OMC, o brasileiro Roberto Azevedo.

O acordo, designado como Acordo de Facilitação do Comércio (TFA, na sigla em inglês), foi concluído em dezembro de 2013 em Bali (Indonésia), durante uma conferência ministerial da OMC.

Segundo o calendário adotado na altura, um protocolo para lançar a ratificação do acordo devia ser adotado em Genebra (Suíça) antes do final de julho deste ano. Mas, no último minuto, a Índia recusou o acordo, bloqueando todo o processo.

A OMC funciona com base no princípio de consenso, ou seja, basta um único Estado-membro para bloquear as negociações ou a adoção de um acordo.

O anúncio de um compromisso entre os Estados Unidos e a Índia ao nível da segurança alimentar, firmado no passado dia 13 de novembro, permitiu desbloquear a situação.

Segundo o diretor-geral da OMC, o trabalho será agora retomado imediatamente, para que as decisões assumidas na conferência de Bali sejam executadas.