O FMI afirmou hoje que o Banco Central Europeu (BCE) deve considerar um «programa de compra de ativos de larga escala», se a inflação permanecer em níveis «persistentemente baixos», à semelhança do que fez a Reserva Federal (Fed).

Num documento divulgado hoje ao abrigo do Artigo IV, que prevê a realização de uma análise anual a todas as economias que integram o FMI, a instituição refere que as ações recentes do BCE «assinalam a sua determinação» para cumprir o seu mandato.

No entanto, o Fundo considera que «se a inflação permanecer persistentemente baixa, o BCE deve considerar um programa de compra de ativos de larga escala, sobretudo de ativos soberanos de acordo com a repartição do capital do BCE», uma medida que foi aplicada nos Estados Unidos da América, pela Reserva Federal (Fed).

A Fed lançou um amplo programa de compra de ativos,

injetando na economia mensalmente 85 mil milhões de euros (cerca de 63 mil milhões de euros), mas desde o início do ano, começou a reduzir gradualmente este programa, ficando em cerca de 35 mil milhões de dólares (cerca de 26 mil milhões de euros) mensais a partir de julho.

O FMI destacou ainda «os progressos substanciais» na construção de uma união bancária europeia «mais completa», considerando que «a transição para um supervisor único - o Mecanismo Único de Supervisão - vai facilitar a provisão de liquidez entre os países, reduzindo por isso a fragmentação».

Ainda assim, a instituição liderada por Christine Lagarde entende que «o trabalho deve continuar no sentido de estabelecer uma barreira comum [backstop] para cortar de forma eficaz as ligações entre os Estados e os bancos», alertando que a barreira atualmente prevista «pode manifestar-se insuficiente para quebrar decisivamente» estas ligações e que «a centralização de recursos de resolução pode não ser suficiente para resolver problemas em grandes bancos».

O Fundo considera que a inflação está «preocupantemente baixa, incluindo nos países core», o que penaliza a procura e o crescimento e dificulta o ajustamento que tem de ocorrer para o crescimento sustentável ter lugar.

Em relação ao Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC), o FMI refere que, apesar das reformas sucessivas, «o sistema tornou-se excessivamente complicado com múltiplos objetivos e alvos», e destaca que o cumprimento dos objetivos «tem sido pobre», o que reflete em parte «os mecanismos fracos de aplicação».

«Não há soluções fáceis para estes problemas», escreve a instituição, que «deve ser considerado um enquadramento mais simples, com um objetivo único».

O FMI dá mesmo um exemplo: a redução da dívida podia ser «o objetivo orçamental último» e o equilíbrio estrutural seria «o único objetivo operacional».

Outro aspeto apontado pelo FMI é o desemprego, que é «inaceitavelmente elevado», sobretudo entre a população jovem, o que acarreta «danos permanentes na capacidade de as economias crescerem».

«É preciso um crescimento muito mais elevado para fazer baixar o desemprego e a dívida. Tendo em conta o ambiente benigno do mercado, agora é o tempo de implementar reformas para aumentar o crescimento», adverte ainda a instituição, identificando três áreas de intervenção: o apoio à procura, a conclusão da união bancária e o avanço das reformas estruturais.