Está a ser uma semana nada animadora no mercado de capitais. Apesar da recuperação de esta quarta-feira, no mercado de ações, a razão que levou às fortes quedas de terça-feira continua a ensombrar a negociação: o aumento da tensão na Ásia que não dá sinais de abrandar.

O lançamento de um míssil por parte da Coreia do Norte, que sobrevou o território japonês, provocou imediatamente quedas fortes nos futuros norte- americanos que recuaram para território negativo e influenciaram a abertura das praças europeias [terça-feira].

Donald Trump diz que todas as opções estão em cima da mesa, depois da Coreia do Norte ter voltado a testar os limites. O governo nipónico classificou o lançamento como uma "ameaça grave e sem precedentes". E a Coreia do Sul lançou bombas para a zona desmitalirizada da península, enquanto o Conselho de Segurança das Nações Unidas se reuniu de emergência.

Os mercados tremeram. As bolsas abriram em forte queda e assim se mantiveram (o alemão Dax / Frankfurt chegou a perder 2%). Hoje o mercado de ações faz ajustes em alta de cerca de 0,5%.

Esta situação, que aparentemente esteve mais calma nas últimas semanas, provoca alguns receios nos investidores, que preferem abandonar ativos mais arriscados, protegendo-se assim da instabilidade”, disse, sobre a queda de ontem, Gualter Pacheco, senior trader do Banco Carregosa, à TVI24.

Com o mercado de ações a passar por nova prova de estabilidade, os investidores procuram outro tipo de ativos, com menos risco. Essa poderá será uma das justificações para a subida dos juros da dívida. Os juros das obrigações do tesouro estavam esta terça-feira a cair, sendo que as que mais caíam eram as alemãs e as francesas.

“ A queda dos juros reflete a subida do preço das obrigações que, neste momento, poderão servir como refúgio para os investidores”, justificou o analista do Banco Carregosa.

A dívida portuguesa acabou por seguir a tendência das restantes dívidas europeias: caiu mas recupera esta quarta-feira. No entanto, caiu menos do que as dívidas teoricamente mais seguras, como a alemã e a francesa. Os juros da dívida alemã a 10 anos chegaram a descer cerca de 10% e os juros da dívida portuguesa, no mesmo prazo, desvalorizam apenas 0,5%.

Mas não foi só no mercado da dívida que se sentiu o refúgio dos investidores. O ouro também serviu como maior aposta.

Sem dúvida que o ouro e dívidas de países com baixo risco e contas públicas mais sólidas, como é o caso da Alemanha, são e serão ativos de refúgio para os investidores”, acrescentou Gualter Pacheco.

Efeito Harvey

Do outro lado do globo, o furacão Harvey junta-se à crise asiática e também provoca estragos em um outro mercado: o do petróleo.

Nestas circunstâncias, é normal que as matérias-primas, nomeadamente o petróleo, subam. É expectável, portanto, que mantendo-se esta instabilidade estas continuem a subir”, referiu ainda o senior trader do Carregosa.

Uma instabilidade à qual Portugal não é indiferente, como "economia bastante aberta e dependente do exterior" que é, nomeadamente no que toca a matérias-primas como o petróleo.

Esta segunda-feira o preço dos combustíveis em Portugal acabou por subir, embora que ligeiramente.