Foi uma sexta-feira negra para o BCP, que atingiu novos mínimos no seu valor em bolsa. Por vários motivos: a entrada do capital dos chineses da Fosun por concluir, possibilidade de corrida ao Novo Banco e saída do índice Stoxx 660. Tudo isto penalizou as ações, que derraparam 5,2% para 0,0146. Ou seja, cada uma nem cêntimo e meio vale. O valor mais baixo até aqui, registado em junho, com o Brexit, tinha sido de 0,0151 euros.

"Nota-se bastante pressão vendedora em BCP. As negociações para a Fosun injetar capital dariam algum alívio, mas não há ainda 'fumo branco' “ e a possibilidade do banco estar na corrida ao Novo Banco “põe pressão porque o BCP tem as suas vulnerabilidades de capital", disse Paulo Rosa, trade da Go Bulling, no Porto, citado pela Reuters.

O Governo aprovou ontem, em Conselho de Ministros, "um regime que permite às sociedades admitidas à negociação em mercado regulamentado procederem ao reagrupamento das suas ações, fora do âmbito de uma redução do capital social". E essa é, precisamente, uma das condições da Fosun para avançar. O comunicado da reunião do Governo só foi publicado esta sexta-feira.

Ainda a propósito do BCP, também numa nota publicada hoje, o Jefferies considera que o BCP está comparativamente barato e tem boas perspetivas na margem financeira, mas tem riscos de diluição de curto prazo que podem penalizar a fraca solvabilidade.

O Fundo de Resolução mantém como prioridade a venda direta do 'good bank' – banco bom - do Novo Banco, estando, aparentemente, os quatro concorrentes que se perfilaram em junho, a criar condições para apresentarem ofertas, disse o presidente executivo, António Ramalho, à Reuters.Ora o BCP era um desses potenciais concorrentes.

Em 30 de Junho, o Banco de Portugal anunciou que recebeu quatro propostas para a compra do Novo Banco, na segunda tentativa de alienação deste banco de transição, que surgiu dos escombros do colapsado Banco Espírito Santo (BES) em agosto de 2014.

O BCP entregou uma carta de interesse com determinado perfil, mas sem avançar uma proposta financeira concreta.

Já mais recentemente, os chineses da Fosun, motraram interesse em assumir uma posição de referência no banco liderado por Nuno Amado. A administração do BCP viria a apreciar positivamente a proposta -  firme para subscrever um aumento de capital reservado unicamente a si, a um preço não superior a 0,02 euros por acção - e pediu à comissão executiva do banco que aprofundasse as negociações com vista a concluir um acordo até ao final de setembro. Ou seja, na próxima semana.

Os vários cenários em aberto acabam por aumentar os receios de analistas e investidores que optam por sair do título.

Lisboa em baixa acompanha Europa

Com o forte recuo do BCP e a grande maioria das cotadas em baixa, o PSI20 terminou a última sessão da semana a cair 0,77% para 4.576,23 pontos.

Entre outros destaques negativos, temos a energia, com a EDP Renováveis e a EDP a perderem à volta de 1,5% cada uma, para 7,14 euros e 2,947 euros, respetivamente. 

Na Europa, igual pessimismo a fechar a semana, com quedas de até 1,3% em Madrid. O índice pan-europeu STOXX 600 perdeu 0,72%, com destaque para as descidas mais pronunciadas dos setores de banca e matérias-primas.

Já em Wall Street, nos Estados Unidos, o Twitter esteve em destaque no índice Nasdaq, ao disparar mais de 20% com a sua possível venda para breve. E a Google estará na corrida.