Alemanha e França estão entre as primeiras vozes europeias que reagiram à decisão norte-americana, divulgada esta quinta-feira, de suspender a isenção de taxas na importação de aço e de alumínio da União Europeia, qualificando a medida como “ilegal” e “injustificável”.

A chanceler alemã, Angela Merkel, que esta quinta-feira terminou uma visita de dois dias a Portugal, considerou “ilegais” as taxas aduaneiras sobre o aço e o alumínio decididas pela administração norte-americana, advertindo ainda para o risco de uma escalada.

O governo alemão rejeita [as taxas]. Acreditamos que são ilegais”, referiu a líder alemã, num comunicado, acrescentando que a decisão de instaurar tal medida implica “um risco de uma espiral que poderá conduzir a uma escalada que, no final, será prejudicial para todos”.

Momentos antes, o governo alemão, através do ministro dos Negócios Estrangeiros, já tinha advertido que a resposta a uma “América primeiro” será uma “Europa unida”.

As guerras comerciais não conhecem vencedores”, salientou.

Do lado de Paris, o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Baptiste Lemoyne, qualificou as taxas norte-americanas como “injustificáveis e insustentáveis” e pediu a Bruxelas para responder com medidas preventivas e de “reequilíbrio”.

A França desaprova estas medidas injustificáveis e insustentáveis”, declarou, aos jornalistas, à margem da reunião anual da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) em Paris, afirmando que os Estados Unidos apresentaram uma “má resposta” perante “a urgência de refundar o comércio internacional”.

Também o Reino Unido reagiu e declarou estar "profundamente dececionado" com a decisão norte-americana.

"O Reino Unido e outros países da União Europeia [UE] são aliados próximos dos Estados Unidos e deviam estar total e permanentemente isentos das medidas norte-americanas sobre o aço e o alumínio", disse o porta-voz do Governo britânico.

"Queremos deixar claro para o Governo dos Estados Unidos, aos mais altos níveis, a importância do aço e do alumínio britânicos para as suas empresas e projetos de Defesa", acrescentou a mesma fonte, expressando a intenção de Londres, em processo de saída da UE, de continuar "a trabalhar de forma próxima com as administrações europeias e norte-americana" a fim de conseguir "uma isenção permanente que assegure que os trabalhadores britânicos estejam protegidos".

O presidente do Parlamento Europeu, o italiano Antonio Tajani, manifestou-se “dececionado”, referindo que a UE vai responder com “todas as ferramentas” à sua disposição.

Apoiamos os nossos trabalhadores e a indústria europeia e vamos responder com todas as ferramentas disponíveis para defender os nossos interesses”, escreveu Tajani, numa mensagem na rede social Twitter.

Antes, a UE já tinha anunciado que vai denunciar perante a Organização Mundial do Comércio (OMC) a decisão norte-americana de suspender a isenção dos direitos de importação de aço e alumínio, garantindo igualmente de que irá responder de forma “proporcional”.

“Os Estados Unidos não nos deixam agora outra escolha que não seja a de recorrer à resolução de litígios da OMC e à imposição de tarifas adicionais sobre diversas importações dos EUA. Vamos defender os interesses da União em total cumprimento da lei comercial internacional”, declarou o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

O Departamento do Comércio norte-americano anunciou hoje a suspensão da isenção dos direitos de importação de aço e alumínio da UE, Canadá e México, numa decisão que dispara as tensões comerciais e provocará represálias dos parceiros.

“Decidimos não estender a exceção para a União Europeia, Canadá e México, pelo que estarão sujeitos a tarifas de 25% e 10%” na importação de aço e alumínio”, respetivamente, indicou o secretário do Comércio dos EUA, Wilbur Ross.