O banqueiro Fernando Ulrich considera que o Presidente da República foi "prudente" ao vetar o diploma do Governo relativo ao fim do sigilo bancário. 

"Não vou falar sobre política. Eu percebo que, num momento em que há muita volatilidade e instabilidade nos mercados, e em que há muitas situações por consolidar, seja prudente. Foi dessa forma que eu entendi a posição do senhor Presidente da República", disse aos jornalistas o gestor, à margem de um evento em Lisboa.

Penso que na situação em que estamos, eu compreendo uma atitude de prudência e de bom senso, e de não estar a fazer mexidas muito radicais, dado que há muita coisa para consolidar, na economia, no sistema financeiro, e na atração do investimento estrangeiro".

E acabou mesmo por manifestar qual a sua posição sobre o assunto:

Há muitos anos que digo que acho que não é indispensável e até que não devia haver sigilo bancário para efeitos fiscais. Mas não é com o limite dos 50 mil euros ou não, porque há também muita fraude fiscal em níveis de rendimentos mais baixos".

Por outro lado, lembrou também que nos últimos anos "foram realizados em Portugal muitos progressos na melhoria da eficiência da máquina fiscal e, portanto, a capacidade que o Fisco hoje em dia tem de cobrar os impostos é muito maior e [o sistema fiscal] funciona muito melhor do que há 10 ou 20 anos".

"Tudo junto, uma posição de equilíbrio é, neste momento, mais construtiva", rematou.

Marcelo Rebelo de Sousa vetou o decreto do Governo que obriga os bancos a informar a Autoridade Tributária sobre as contas bancárias de residentes em território nacional com saldo superior a 50 mil euros, advogando que é de uma "inoportunidade política" evidente, num momento de "sensível consolidação" do sistema bancário.

O primeiro-ministro, António Costa, reagiu dizendo que o Governo vai “ponderar o fundamento” da decisão do chefe de Estado e, “em função disso”, tomar uma decisão. O BE já garantiu apoio para fazer passar diploma no Parlamento.