Antes da abertura do mercado acionista, esta segunda-feira, a CMVM emitiu um comunicado dando conta de que decidiu suspender as ações do BPI, isto depois de ter sido anunciado um acordo entre os dois maiores acionistas para resolver o problema da exposição do banco a Angola.

"O Conselho de Administração da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) deliberou, nos termos do artigo 214º e da alínea b) do n.º 2 do artigo 213º do Código dos Valores Mobiliários, a suspensão da negociação das ações do Banco BPI, S.A., até à divulgação de informação relevante sobre o emitente".

 

O espanhol CaixaBank é o maior acionista do BPI, com 44,10% do capital social, e a Santoro detém 18,58%. Não são ainda conhecidos os termos do acordo que foi alcançado mesmo ao cair do pano, pelas 23:00, a uma hora de terminar o prazo dado pelo Banco Central Europeu para ser encontrada uma solução para resolver o problema da exposição do banco a Angola. 

Só se sabe, segundo o comunicado enviado pelo BPI ao mercado, que as negociações, nesta primeira fase, terminaram “com sucesso”. Dá também conta a mesma nota que o BCE e o Banco de Portugal foram informados, sendo que o acordo escrito e os elementos "contratuais serão apresentados aos órgãos competentes nos próximos dias e que, tão logo sejam aprovados, serão comunicados ao mercado”. O próprio CaixaBank informou entretanto o regulador espanhol no mesmo sentido.

Ora, para a CMVM esta informação não é bastante para deixar as ações negociar no PSI20 que, na sexta-feira, encerraram a valer 1,191 euros. 

Tanto o Presidente da República como o primeiro-ministro mostraram-se satisfeitos pelo facto de o acordo ter sido alcançado, com Marcelo Rebelo de Sousa a destacar a importância das várias partes envolvidas, incluindo o poder político. Sem a intervenção de todos, o acordo "não teria sido possível". 

Impasse desfez-se à última hora

Depois de semanas e semanas de impasse, e com o falhanço das negociações pelo meio, acabaram por ser retomadas e, ao cair do pano, fez-se luz. O BPI livrou-se assim de pagar uma multa de 162 mil euros por dia BCE. 

As negociações arrastaram-se durante bastante tempo e o mercado esteve sempre de olhos postos no eventual acordo que tardava em chgar. Chegou a ser dado como certo em março, mas inicialmente não chegou a bom porto, com o CaixaBank a anunciar o rompimento das negociações, coisa que Isabel dos Santos considerou "difícil de compreender"

Acabaram por reatar as conversações na semana passada, numa fase contrarrelógio para arranjar então uma solução até 10 de abril, o que acabou por ser conseguido. 

A operação em Angola é a jóia da coroa do BPI. Em 2015, mais de 50% do lucro do banco veio de Angola, 135,7 milhões de euros.

BFA cotado na Bolsa de Lisboa?

Neste acordo, segundo foi avançado ontem pelo comentador televisivo Luís Marques Mendes, e confirmado pelo Negócios, poderá estar também a premissa de que o Banco de Fomento Angola (BFA) venha a ser cotado em Lisboa. Será isso que Isabel dos Santos pretende.