A rede social mais famosa do planeta está a passar por dias difíceis. Autoridades de vários países prometem que vai haver consequências de a utilização indevida de dados dos utilizadores, que fluem no Facebook

Os Estados Unidos da América (EUA) anunciaram esta segunda-feira que vão abrir uma investigação às práticas de privacidade da empresa, depois de os dados de cerca de 50 milhões de utilizadores terem indo parar às mãos da consultora Cambridge Analytica para atingir os eleitores norte-americanos e britânicos nas eleições.

Ao mesmo tempo, desde lado do Atlântico, a Alemanha também anunciou estar a investigar a Rede. A notícia foi avançada pela Reuters, que citou o responsável do regulador da concorrência - Federal Cartel Office -,  Andreas Mundt, numa altura em que o Ministério da Justiça convocou membro da administração da rede social para discutir questões de privacidade.

Segundo o governo alemão, empresas como o Facebook devem enfrentar uma regulamentação mais rigorosa, penas mais severas e as autoridades de proteção de dados tem que estar mais bem equipadas, disse a ministra da Justiça da Alemanha, Katarina Barley, após o encontro com os executivos do Facebook, que aconteceu esta segunda-feira.

O Facebook admitiu abusos e excessos no passado e deu garantias de que as medidas tomadas, desde então, vão evitar que volte a acontecer", disse a ministra. "Mas as promessas não são suficientes. No futuro iremos ter que regulamentar empresas como o Facebook muito mais apertada", acrescentou.

A governante afirmou ainda que foram discutidas e acordados "modelos que permitam mais transparência nos algoritmos, sem prejuízo dos interesses comerciais do Facebook", sendo evidente que a rede deve "alterar, completamente, a forma como pede autorização aos utilizadores para usar os seus dados."

De acordo, com o presidente da Federal Cartel Office, ao jornal Tagesspiegel, o regulador está a trabalhar no pressuposto de possíveis abusos decorrentes de a "recolha e análise de dados de fontes terceiras fora do Facebook", disse.

O regulador alemão já está a analisar se a rede terá abusado do que Mundt chamou de a sua "posição de controlo de mercado".

Até ao momento o Facebook não fez qualquer comentário.