
A presidente da Câmara de Abrantes considera que o facto de o Estado ter rescindido o contrato de investimento acordado com a RPP para aquele concelho não significa necessariamente que a fábrica de painéis solares já não avance.
«Não é linear que assim seja», disse, em declarações à Agência Lusa, Maria do Céu Albuquerque, perante a rescisão de contrato entre a AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal) e a RPP Solar - Energias Solares, S.A., um contrato de investimento no valor de 1.052 milhões de euros, destinados à construção de fábricas de painéis fotovoltaicos, em Abrantes, e que deveria criar cerca de 2.000 empregos.
Rejeitando pronunciar-se sobre se acredita ou não na conclusão do projeto liderado pelo empresário Alexandre Alves, a autarca disse que, «apesar de tudo e olhando para os factos, está concluída a construção da primeira fase da fábrica», um empreendimento que Céu Albuquerque gostaria de ver concluído, «a bem da região e do país».
Segundo a presidente da Câmara de Abrantes, o projeto da RPP Solar «preconiza um grande investimento no concelho, numa área estratégica para o país, as energias renováveis e limpas, e que vai ter um enorme impacto económico-social na região», tendo criticado o «desinvestimento por parte do Governo na atual conjuntura».
Uma situação que a autarca socialista enquadra no âmbito de uma «operação de limpeza» levada a cabo pelo Governo PSD/CDS e que «determina a rescisão de contratos de financiamento celebrados no âmbito do QREN (Quadro de Referência Estratégico Nacional) que não tenham evidenciado execução física e financeira nos últimos seis meses».
Atendendo à «natureza e dimensão do projeto e às mais-valias para o desenvolvimento da região», a Câmara Municipal proporcionou ao investidor «condições de exceção na aquisição do terreno e isenção de taxas», justificou, tendo acrescentado que, se o projeto não for cumprido, a Câmara Municipal de Abrantes «reserva-se no direito de tomar as diligências que considerar mais adequadas, dentro das normas legais em vigor e tendo em vista a salvaguarda do interesse público».
Segundo o empresário, o atraso verificado ao nível da execução do projeto deve-se, em parte, à crise que toda a Europa tem vivido e que tem dificultado o acesso à banca por parte dos investidores, tendo hoje reiterado à Lusa a continuidade do projeto.
A presidente da Câmara de Abrantes disse à Lusa, por sua vez, não ter dados e informações suficientes por parte do investidor para poder dizer se o projeto vai ser concluído ou não.
«Aguardo pela marcação de uma reunião com o empresário para poder ter acesso a dados mais atualizados e concretos, nomeadamente no que respeita a objetivos e calendarizações», concluiu.
No local, um terreno com 82 hectares, na freguesia de Concavada, perto da Central Termoelétrica do Pego, na margem sul do Tejo já estão ocupados 30 mil metros quadrados, que representam a primeira fase de um total de 160 mil metros quadrados. Estão assim concluídas as obras de construção de duas fábricas aptas para albergar seis linhas de produção capacitadas para gerar um total de 859 Megawatt de eletricidade. Estão também terminados os escritórios e dois auditórios.