O secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, Carlos Moedas, garantiu esta terça-feira que a próxima avaliação da troika vai ocorrer em setembro, mas não adiantou uma data, acrescentando que o Governo está em «conversações».

«Ainda estamos a decidir, mas será em setembro seguramente. Não posso confirmar, mas a senhora ministra das Finanças e o senhor vice primeiro-ministro, temos estado em conversações, mas será sem dúvida em setembro», disse.

Nos últimos dias alguns jornais publicaram que os elementos da troika poderão só chegar a Portugal a meio de setembro e a avaliação estar concluída apenas depois das autárquicas.

«Estar aqui a especular sobre um dia não seria possível, muito menos sobre a conclusão do relatório que é algo de que nunca falamos», declarou.

O Governo pediu em julho à troika, um adiamento da 8ª avaliação, que irá ocorrer juntamente com a 9ª avaliação, para concluir o programa de ajustamento dentro do prazo previsto.

A realização dos 8º e 9º exames regulares, adiantava na altura o comunicado do Ministério das Finanças, estava prevista para o final de agosto/início de setembro.

A revisão, que deveria ter começado no dia 15 de julho, já ia iniciar-se mais tarde devido aos atrasos na conclusão da 7ª avaliação que aconteceram, por sua vez, devido aos atrasos no plano de corte na despesa do Estado e ao chumbo do Tribunal Constitucional a quatro normas do Orçamento do Estado para 2013, recorda a Lusa.

Carlos Moedas diz que dívidas devem ser «todas pagas»

O secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, Carlos Moedas, defendeu hoje que as dívidas que Portugal adquiriu têm que ser «todas pagas» aos credores, sublinhando que a credibilidade do país depende desse fator junto dos mercados.

«As dívidas têm que ser todas pagas, os países têm que pagar as dívidas e é importantíssimo que isso fique claro, que o esforço que os portugueses estão a fazer é para termos essa credibilidade», disse.

Para o governante, é importante que as dívidas sejam «respeitadas» e «têm que ser pagas», pois, segundo Carlos Moedas «daí depende a nossa credibilidade para o futuro para que o país, no futuro, possa ter acesso aos mercados».

Carlos Moedas falava aos jornalistas esta terça-feira à tarde, à margem de uma aula que conduziu na Universidade de Verão do PSD, que está a decorrer desde segunda-feira, em Castelo de Vide (Portalegre).

Durante a palestra aos jovens da Universidade de Verão do PSD, Carlos Moedas afirmou que nada tem «contra» a dívida, sustentando que «é necessária» nas empresas, uma vez que «sempre se trabalhou com dívida».

«Agora aquilo que a dívida não pode ser é uma dívida em excesso. Como tudo na vida, nada em excesso é bom», sublinhou.

Confrontado com estas declarações e com as de José Sócrates, em 2011, quando este afirmou numa conferência em Paris (França) aos colegas universitários da Sciences Po que «para pequenos países como Portugal e Espanha, pagar a dívida é uma ideia de criança», Carlos Moedas rejeitou a comparação.

«Não, não tem nada a ver, é totalmente diferente. Aquilo que nós temos que pensar é que Portugal entrou numa espiral de excesso de dívida e esse excesso de dívida é mau para qualquer país, as dividas têm que ser sustentáveis», afirmou.

«Portugal tem que voltar a uma capacidade de ter um nível de divida sustentável para o futuro, porque só isso é que pode criar crescimento para o país», acrescentou.