O novo presidente do Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários (SNQTB), Paulo Marcos, garantiu esta quarta-feira na tomada de posse que vai mobilizar recursos para apoiar os trabalhadores do Banif e do Novo Banco, entidades que foram intervencionadas.

"Vamos estar muito atentos aos desenvolvimentos no Banif e no Novo Banco e às suas implicações sobre os trabalhadores", afirmou o responsável durante a cerimónia de tomada de posse dos novos órgãos sociais do SNQTB, que decorreu num hotel em Lisboa.

"Nós vamos criar equipas multidisciplinares para todos os bancos que possam estar em processo de reestruturação. Isto quer dizer que vamos juntar várias competências, jurídicas, financeiras e de comunicação", especificou em declarações aos jornalistas já no final da cerimónia.

E realçou: "Nós queremos que os nossos sócios e a opinião pública sejam informados e acarinhados em simultâneo. Se há coisa que nos causa algum constrangimento é verificar que este tipo de equipas,'task forces', perfeitamente identificadas, com competências muito definidas, não tem sido uma prática e é uma coisa que nos causa alguma estranheza".

Questionado diretamente sobre a sua avaliação relativamente à atuação de Carlos Costa ao comando do Banco de Portugal, num período marcado pela resolução de dois bancos importantes do sistema (BES e Banif), Paulo Marcos jogou à defesa.

"O governador do Banco de Portugal é uma pessoa muitíssimo bem preparada tecnicamente, com uma larguíssima experiência bancária e, mais importante, está na posse de informação que nós, comuns dos mortais, não temos", disse, acrescentando que "só resta fazer um ato de fé que ele decidiu da melhor maneira possível nas circunstâncias vigentes, com outro tipo de situação que a sociedade civil não tem".

Além do apoio aos trabalhadores do Banif e do Novo Banco, a direção do SNQTB tem definidas várias prioridades para os primeiros tempos de mandato que já constavam do seu programa eleitoral e que hoje foram enumeradas por Paulo Marcos.

O corte nas remunerações dos membros dos órgãos sociais do sindicato, a contratação de uma auditora externa independente para fazer um 'raio x' à realidade patrimonial do SNQTB, a remodelação do grupo e a negociação do acordo coletivo de trabalho são as medidas em destaque.