O ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, José Vieira da Silva, considera que a situação na Autoeuropa “é um risco para a empresa” e apelou aos trabalhadores e à administração que encontrem soluções num curto prazo.

Mais de 63% dos trabalhadores da Autoeuropa rejeitaram o segundo pré-acordo sobre os horários de trabalho na fábrica de automóveis de Palmela, no referendo realizado na quarta-feira, com 3.145 votos contra o pré-acordo (63,22%) e 1.749 votos favoráveis.

O ministro do Trabalho disse, na quarta-feira à noite à margem da Gala da Associação Nacional de Jovens Empresários, no Porto, que o impasse na Autoeuropa “não é positivo”.

Obviamente que essa situação não é positiva. (…) Esta é a pior situação na Autoeuropa. É um risco para a empresa, seria ilusório estar a fazer uma afirmação no sentido contrário”, sublinhou.

José Vieira da Silva lembrou que esta “não é a primeira vez que existem acordos na Autoeuropa que são afetados por um referendo dos trabalhadores” e sempre foi possível encontrar soluções negociadas.

Segundo o governante, o “tempo escasseia e as soluções têm de ser encontradas num prazo curto”.

“Nós apelamos às partes para que aprofundem os seus contactos, para que possam estudar novas situações e que possam junto dos trabalhadores ter uma atuação que valorize a importância que tem este acordo para o futuro da Autoeuropa, daquela região, do país daqueles trabalhadores e das suas famílias, porque é de facto um projeto de futuro que está a ser discutido neste momento”, salientou.

Também o ministro da Economia, Caldeira Cabral, disse à margem da mesma Gala que deve ser encontrada uma solução.

Faço votos para que haja um sentido de responsabilidade e que se possa ainda encontrar uma solução”, disse.

O pré-acordo rejeitado na quarta-feira estabelecia os termos do trabalho ao sábado e da laboração contínua (três turnos diários), que deveria ter início depois das férias de agosto de 2018.

Para assegurar a produção estimada do novo veículo produzido em Palmela (T-Roc) a administração da Autoeuropa considera necessária a laboração contínua, bem como o trabalho ao sábado.

Nos plenários realizados na semana passada, muitos trabalhadores contestaram os termos do novo pré-acordo.

Entretanto, a Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa anunciou ainda na quarta-feira que pretende reiniciar o diálogo com a administração da fábrica de Palmela face à rejeição do pré-acordo.

A administração da Autoeuropa também já reagiu e lamentou a rejeição do pré-acordo sobre os novos horários de trabalho na fábrica de automóveis da Volkswagen em Palmela e remeteu para mais tarde uma tomada de posição.

"Lamentamos a rejeição do pré-acordo, estamos a analisar o impacto desta situação e oportunamente tomaremos posição", disse à agência Lusa fonte oficial da empresa.

No passado mês de julho, 74% dos trabalhadores da Autoeuropa rejeitaram um outro pré-acordo sobre os novos horários que tinha sido negociado pela anterior Comissão de Trabalhadores, a que se seguiu uma greve histórica, em 30 de agosto, a primeira por razões laborais na fábrica de automóveis de Palmela do grupo Volkswagen.

A anterior Comissão de Trabalhadores apresentou a demissão face à rejeição do pré-acordo no referendo realizado em 29 de julho.

O trabalho ao sábado (e a remuneração dos sábados, que, nos termos previsto no pré-acordo que foi rejeitado, deixaria de ser pago como trabalho extraordinário), bem como a laboração contínua a partir de agosto de 2018, foram os principais motivos de contestação por parte dos trabalhadores da Autoeuropa.