Mário Centeno é candidato à presidência do Eurogrupo, um anúncio feito quase em cima da hora limite de entrega da candidatura, 11:00 da manhã em Lisboa.

O Governo português apresentou esta manhã a candidatura do ministro das Finanças, Mário Centeno, à presidência do Eurogrupo", diz em comunicado o gabinete do primeiro-ministro, António Costa.

O ministro das Finanças português é, aparentemente, o favorito e conta, à partida, com o apoio da “família” socialista e de dois líderes de peso, Emmanuel Macron e Angel Merkel. Apoios que ganham mais forma após a desistência do italiano Pier Carlo Padoan. 

Segundo apurou a TVI, um apoio que Costa terá conseguido obter, num encontro que teve com o presidente francês e a chanceler alemã, à margem cimeira entre a União Europeia e a União Africana, que decorre até hoje em Abdijan, a capital económica da Costa do Marfim.

Centeno vai enfrentar, a ministra das Finanças da Letónia, do partido os Verdes, que foi a primeira a oficializar a sua candidatura. E agora também o ministro da Eslováquia que, embora não tenha, aparentemente, o apoio socialista conta com a simpatia da direita.

Quem que não abre, para já, o jogo é o liberal do Luxemburgo. A TVI não conseguiu apurar se terá entregue, ou não, a sua candidatura. Podendo ser a surpresa desta sexta-feira quando for, oficialmente, apresentada a lista de candidatos.

A eleição terá lugar na próxima reunião do Eurogrupo, agendada para segunda-feira, dia 4 de dezembro. Mas não necessariamente haverá votação. Poderá ser por aclamação dos pares como, de resto, aconteceu na segunda vez que o atual presidente, Jeroen Dijsselbloem, assumiu o cargo.

Para ganhar Mário Centeno tem que reunir 10 apoios. Para já, conta com o aval dos socialistas (Malta, Chipre e Itália), do ministro grego da extrema esquerda. Acrescem, o apoio declarado da Espanha e os hipotéticos da Alemanha e da França. 

De qualquer modo esta é, sempre, uma eleição imprevisível, mesmo para o favorito, e compete aos ministros negociarem. Centeno terá que acolher simpatias à direita embora cada ministro não seja obrigado a votar de acordo com a sua cor política. 

Caso saia vencedor, o atual ministro das Finanças português deve assumir o cargo no final de janeiro, acumulando com a pasta que tem em Portugal. Nas reuniões no Eurogrupo, Centeno presidirá, e o país deverá ser representado pelo seu secretário de Estado Adjunto e das Finanças, Ricardo Mourinho Félix.

O futuro presidente do Eurogrupo terá dossiers pesados e difíceis pela frente, como a reforma da União Europeia, as decisões em torno da banca.