As empresas públicas registaram prejuízos de 431 milhões de euros entre janeiro e junho, ficando aquém da meta prevista nos seus orçamentos em cerca de 312 milhões de euros.

De acordo com o boletim informativo do setor empresarial do Estado relativo ao segundo trimestre deste ano, publicado pela Unidade Técnica de Acompanhamento e Monitorização do Setor Público do Estado (UTAM), "o resultado líquido das empresas públicas no primeiro semestre de 2015 foi de -431 milhões de euros, valor inferior ao objetivo expresso nos orçamentos das empresas em cerca de 312 milhões de euros".

Ainda assim, e na comparação anual, este resultado "representa uma melhoria de 30% face ao mesmo período de 2014, cerca de 186 milhões de euros".

As previsões dos orçamentos das empresas públicas previam resultados líquidos de 120 milhões de euros, pelo que os dados agora divulgados representam um desvio de 260% relativamente ao objetivo anteriormente delineado.

"Quanto ao desvio de previsão face aos orçamentos das empresas, o resultado líquido do setor da Administração Pública superou a previsão em cerca de 17 milhões de euros", refere a UTAM, acrescentando que "este setor evidenciou também o segundo maior crescimento do resultado líquido face ao registado um ano antes, cerca de 36 milhões de euros".

Saúde: o maior desvio

Já o setor da saúde registou o maior desvio de previsão negativo, cerca de -283 milhões de euros: "O resultado líquido deste setor no primeiro semestre de 2015 representa ainda um decréscimo de 14 milhões de euros face ao valor registado no mesmo período do ano passado".

O setor das Empresas Financeiras "apresenta o segundo maior desvio de previsão negativo, próximo dos -54 milhões de euros".

No entanto, o setor das Empresas Financeiras distinguiu-se como o setor com maior crescimento do resultado líquido face ao período homólogo, aproximadamente 103 milhões de euros, ressalva.

O caso TAP

A UTAM refere que a quebra do resultado líquido, "no montante de cerca de 45 milhões de euros, espelha essencialmente a evolução desfavorável do seu resultado operacional".

Apesar da quebra de 60 milhões de euros do resultado antes de impostos, juros, depreciações e amortizações (EBITDA), o resultado operacional "apenas diminuiu cerca de 41 milhões de euros face ao período homólogo, devido ao impacto positivo da reversão de amortizações e imparidades por força da extensão da vida útil dos ativos da empresa".

O endividamento do Setor Empresarial do Estado ascendeu a 31 mil milhões de euros nos primeiros seis meses do ano, "valor inferior ao objetivo expresso nos orçamentos das empresas em cerca de 25 milhões de euros".

"Relativamente ao final de 2014, o nível de endividamento no primeiro semestre de 2015 registou uma diminuição de 3%, na ordem dos 927 milhões de euros", adianta.

Os maiores desvios de previsão face aos orçamentos das empresas verificaram-se nos setores das Gestoras de Património e das Empresas Financeiras, cujo endividamento foi inferior ao previsto em cerca de 547 e 230 milhões de euros, respetivamente.

"Por outro lado, o setor dos transportes e armazenagem ultrapassou o endividamento previsto nos orçamentos das empresas em aproximadamente 939 milhões de euros", apontou.

"No que respeita à evolução, face ao final de 2014, contribuiu maioritariamente o setor dos Transportes e armazenagem, com uma diminuição de aproximadamente 545 milhões de euros", acrescentou, referindo que "apenas o setor da comunicação registou um aumento do endividamento, na ordem dos 4,9 milhões de euros".