Uma centena de trabalhadores de call centers da Portugal Telecom/MEO manifestaram-se hoje junto da sede da empresa, em Lisboa, em defesa do fim da precariedade laboral, contra os baixos salários e por direitos com dignidade.

Hernâni Marinho, dirigente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisual (Sinttav), disse à agência Lusa que se tratou de “um protesto contra o trabalho temporário”, no caso na PT/MEO.

Os trabalhadores por “exercerem sempre as mesmas funções e alguns há mais de 20 anos”, devem ser integrados nos quadros da Portugal Telecom, defendeu o dirigente sindical.

E prosseguiu: “Estes trabalhadores acabam por ser uma espécie de bola de ping-pong. As empresas utilizadoras destes prestadores de serviços, e no caso a PT/MEO, descartam-se da responsabilidade que têm sobre estes trabalhadores”, que ganham o salário mínimo.

Isto não pode ser. É um dia de protesto e de indignação. É altura de os trabalhadores dizerem basta a tanta exploração. E a um posto de trabalho com tarefas que, não sendo temporárias, deve corresponder a um posto de trabalho efetivo”, afirmou Hernâni Marinho.

Por sua vez, o deputado Miguel Tiago, que se associou ao protesto e à greve dos trabalhadores, em representação do grupo Parlamentar do PCP, disse à Lusa que o partido “reconhece a justiça e a justeza das reivindicações” dos trabalhadores temporários.

Estes trabalhadores desempenham tarefas para a PT/MEO, trabalham integrados na sua estrutura, mas a Portugal Telecom recusa-se a integrá-los nos quadros e a assegurar-lhes os direitos que lhes deveria assegurar no plano do salário, da valorização da carreira, da segurança no posto de trabalho, da segurança do vínculo laboral”, sublinhou.

O deputado relembrou que “a utilização recorrente à precariedade não é só um problema da PT, é um problema profundo da economia portuguesa e do bem-estar das pessoas e, portanto, que urge resolver”.

Reforçou ainda a ideia de que a precariedade “deve acabar na contratação”, e lamentou o caso da PT/MEO, por se tratar de uma empresa que pela sua dimensão “tem todas as condições e tem o dever de incluir os trabalhadores nos seus quadros”.

Para José Manuel Oliveira, coordenador nacional da Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (FECTRANS), o Governo tem também “uma palavra a dizer” em relação aos trabalhadores precários, lembrando que esta luta “é importante” para que se resolva esta situação.

No final do protesto, uma delegação entregou uma carta na sede da PT na qual os trabalhadores reivindicam o fim da precariedade e a integração dos trabalhadores temporários

A paralisação de hoje abrangeu os trabalhadores afetos ao SNTCT - Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações, que trabalham nos 'call centers', 'backoffice', lojas, empresas de trabalho temporário e 'outsourcing' do setor das telecomunicações, caso da PT/MEO, Adecco, Kelly Service, Manpower, Vertente Humana, Randstad, Grupo Egor e Talenter.