A economia portuguesa deverá crescer abaixo da meta inscrita no orçamento para este ano, prevendo a maioria dos economistas contactados pela agência Lusa um crescimento de 1,5% em 2015, inferior aos 1,6% estimados pelo executivo de Passos Coelho.

O anterior governo PSD/CDS-PP esperava que a economia portuguesa crescesse 1,6% este ano, uma projeção que foi incluída no Orçamento do Estado para 2015, de outubro de 2014, e que foi reiterada no Programa de Estabilidade, conhecido em abril passado.

A economista do BPI Paula Carvalho considera que “matematicamente ainda é possível” que o Produto Interno Bruto (PIB) aumente 1,6% no conjunto de 2015 face ao ano anterior, mas admite que agora “a probabilidade é menor”.

“A atividade teria de crescer à volta dos 0,8% em cadeia” para que a meta de crescimento do governo fosse cumprida, segundo a analista, que considera que esta é uma previsão “pouco plausível”.

Alertando que “o próprio valor do terceiro trimestre pode ser revisto em ligeira alta”, Paula Carvalho afirma que, “com os dados conhecidos atualmente, a probabilidade de [o crescimento económico] ser de 1,5% é maior”.

Já António Ascensão Costa, professor do Grupo de Análise Económica do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), afirma que a meta da coligação é “muito pouco provável” e que, depois da estagnação económica no terceiro trimestre, “é mais provável que o crescimento económico em 2015 fique nos 1,5%”.

O professor universitário afirmou que, para que a economia crescesse ao ritmo estimado pelo anterior governo no conjunto do ano, teria de existir um crescimento em cadeia de 0,5% e 0,6%.

Também o presidente da Informação de Mercados Financeiros (IMF), Filipe Garcia, e o banco BBVA esperam que a economia cresça abaixo dos 1,6% previstos pelo anterior executivo, aumentando 1,5% este ano.

Por sua vez, o departamento de Estudos do Montepio continua a admitir um crescimento económico de 1,6% para a totalidade de 2015, explicando que será necessário uma melhoria entre 0,5% e 0,6% no quarto trimestre face ao terceiro.

O economista-chefe do Montepio considera que um valor em cadeia de 0,5% é “perfeitamente possível”, admitindo, no entanto, que o “principal risco descendente se prende com a indefinição política”.

Por sua vez, o professor Jorge Borges de Assunção, do Núcleo de Estudos de Conjuntura Económica Portuguesa (NECEP), da Universidade Católica, disse à Lusa que “será necessário que o crescimento no último trimestre seja na ordem dos 1,8% (embora 1,6% possa chegar) e de 0,8% em cadeia (embora 0,6% possa chegar)” para que seja alcançada a meta definida pelo governo de Pedro Passos Coelho.

Quanto às implicações de uma menor taxa de crescimento económico no cumprimento da meta do défice orçamental, que o anterior governo assumiu que seria de 2,7% este ano, persistem também desafios.

O BPI ainda não tem uma projeção para o défice orçamental de 2015, mas a economista Paula Carvalho entende que um crescimento mais fraco “tem sempre implicações [na evolução do défice] sobretudo se se confirmar que a atividade económica desacelerou no último semestre”.

O cenário do Montepio é que “o défice seja superior a 2,7%, mas inferior a 3% (o limite do Pacto de Estabilidade e Crescimento), apontando-se para 2,9%” e o NECEP afirma que “um défice abaixo dos 3% é viável embora não seja o cenário”.

A 13 de novembro, o Instituto Nacional de Estatística (INE) indicou, na sua estimativa rápida, que a economia portuguesa apresentou uma variação nula no terceiro trimestre de 2015 face ao trimestre anterior e que cresceu 1,4% em relação ao mesmo trimestre de 2014.

Na segunda-feira, o INE vai publicar o segundo destaque das Contas Nacionais Trimestrais relativas ao terceiro trimestre, altura em que confirma ou revê os dados anteriores.