O presidente da Confederação da Indústria Portuguesa, António Saraiva, considerou esta terça-feira que se o Estado pagasse a horas aos seus fornecedores, as empresas «sairiam do sufoco», tendo apelado ao Governo para apresentar um plano de amortização de dívidas.

Em declarações à Lusa a propósito de um estudo liderado por Augusto Mateus ¿ que será divulgado na quarta-feira -, que indica que se o Estado e todas as empresas pagassem a horas, a economia portuguesa cresceria 3% num ano e criaria 120 mil postos de trabalho, o presidente da CIP disse estar preocupado com a situação.

«Estamos preocupados com a dívida do Estado às empresas que já regista, segundo os últimos dados, 3 mil milhões de euros. Se o Estado pagasse o que deve e começasse a pagar a tempo e horas, as empresas sairiam do sufoco em que se encontram», sublinhou.

Para António Saraiva, esta má prática é dramática para as tesourarias das empresas que veem as suas mercadorias ou serviços vendidos mas não cobrados, tendo na mesma de pagar IVA atempadamente.

«Instalou-se, com esta má prática, uma corrente perversa nas tesourarias das nossas empresas que estão a desaparecer por problemas graves resultantes deste fenómeno», disse.

Por isso, o presidente da CIP defende que o Governo deve apresentar um plano de pagamento para amortizar a dívida acumulada que tem com as empresas.

António Saraiva defendeu ainda que o Governo deve legislar, aplicando diretivas europeias por exemplo, para obrigar as empresas a pagar a tempo e horas.

O estudo liderado por Augusto Mateus foi encomendado pela Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE) com o apoio da CIP e do Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas (IAPMEI).

O trabalho conclui que em dezembro de 2012, o Estado tinha mais de 4,6 mil milhões de euros de pagamentos em atraso (faturas com mais de 90 dias) às empresas.

As administrações públicas pagam em média a 133 dias, mais do dobro do prazo acordado.

A ACEGE, a CIP e o IAPMEI acusam, por isso, o Estado de ser um dos principais responsáveis por uma cultura de pagamentos em atraso no país e apelam às administrações públicas e às grandes empresas que cumpram a lei que obriga todos os agentes económicos a pagar a tempo e horas, sob pena de incorrerem em juros de mora.