O primeiro-ministro disse esta terça-feira que o Governo não mandou ocultar os prejuízos do BPN, reiterando o que já tinha sido dito pelo Ministério das Finanças, em relação a uma eventual manipulação das contas da Parvalorem.
 
"Ninguém pediu para ocultar prejuízos", disse Passos Coelho, esclarecendo que o Governo fez um "exercício de previsão de perdas futuras". "Quando se trata de fazer uma estimativa sobre perdas futuras que podem ocorrer, isso obedece a certos parâmetros; são feitas "estimativas para essas perdas que podem vir a acontecer no futuro".

A Antena 1 avança hoje que a ministra das Finanças, Maria Luis Albuquerque, enquanto secretária de Estado do Tesouro, pediu para a administração da Parvalorem (empresa pública que ficou a gerir os ativos de má qualidade do antigo Banco Português de Negócios) que mexesse nas contas de forma a que estas revelassem um cenário de perdas mais otimista do que o real, reduzindo os prejuízos reconhecidos em 2012. 

O candidato da coligação Portugal à Frente explica que a alteração foi feita porque foi considerado que a estimativa era "demasiado pessimista"; "foi feito um exercício com uma estimativa revista, e não temos nenhuma razão para dizer que se ocultaram prejuízos, antes pelo contrário". "Não se ocultou nada; todos prejuízos são inscritos nas contas e vão ao défice quando têm de ir".

Ao contrário, sublinha, do que aconteceu quando a coligaçã chegou ao Governo. "Havia imparidades que não tinham sido comunicadas e aí sim o governo fez até uma participação à Procuradoria-geral da República
para investigar porque razão as imparidades não tinham sido reportadas".

Aliás, o trabalho feito foi "muito competente e eu teria tomado a mesma decisão": "teria reavaliado a estimativa; não eram perdas registadas - essas vão às contas do défice". "É falso que tenha havido ocultações de contas", repete. 

"Não há nenhum picante nisto", ironiza, depois de uma visita à fábrica Maçarico, em Mira, que além de azeitonas é conhecida pelo piri-piri que produz. Mas garante que "é normal que à medida que a campanha vai avançado possam aparecer coisas eventualmente incómodas, nomeadamente para o Governo". "É natural, é da campanha", disse.

"Foi uma martelada nas contas"

A investigação da Antena 1 diz ainda que quando Maria Luis Albuquerque soube, em fevereiro de 2013, que as contas da Parvalorem apresentavam perdas de 577 milhões de euros, com créditos em risco de incumprimento, o que iria engordar o défice orçamental, fez o pedido à administração da empresa pública. 

Tal pedido é admitido à Antena 1 pela administradora da Parvalorem Paula Poças, recordando a pergunta da então secretária de Estado: “qual é melhor expetativa quanto à informação que tínhamos às garantias no momento. Nós considerámos que não fazia sentido estar a agravar no momento as imparidades”. A empresa refez o relatório e baixou os prejuízos em 150 milhões de euros.

“Foi uma martelada que demos nas contas, eu nem questionei, as ordens vinham de cima, para recalcular as imparidades de forma a baixar o valor, atuámos dentro da margem que tínhamos”, revela à Antena 1 uma das fontes que refez o relatório.


Segundo um documento enviado à tutela, a Parvalorem anuncia: "após o trabalho cirúrgico conseguimos reduzir o valor das imparidades de 577 milhões de euros para 420 milhões de euros”. 

De acordo com a investigação, no mesmo dia, a empresa recebeu um agradecimento de Maria Luís Albuquerque, referindo que queria uma redução ainda superior, mas a admitir que talvez “não fosse possível melhor”.