A votação na especialidade da reposição das 35 horas de trabalho semanais na função pública foi adiada para a semana. Os partidos da esquerda parlamentar ainda não chegaram a acordo sobre o texto final.

O bloqueio prende-se com a cláusula de salvaguarda incluída pelo PS para que, em alguns setores, a reposição possa ser feita gradualmente até ao final do ano para não comprometer o funcionamento dos serviços, como é o caso da saúde.

Ao que a TVI apurou, a questão coloca-se, por exemplo, com os enfermeiros. O Governo está ainda a negociar com os sindicatos a possibilidade de haver um mecanismo de compensação.

PCP e Bloco de Esquerda esperam para saber o resultado dessas conversas para decidir se aceitam ou não a norma transitória.

Ainda esta quarta-feira, no Parlamento, o ministro da tutela, Adalberto Campos Fernandes, admitiu que as 35 horas podem não entrar totalmente em vigor a 1 de julho no Serviço Nacional de Saúde.

Mas não viu qualquer "drama" nisso. Argumentou que o SNS poderá ser sujeito a um "faseamento", um "ajustamento", nas suas palavras, mas porque será preciso recrutar profissionais, o que não é feito de modo automático.  

Ontem, o Bloco de Esquerda mostrou-se confiante quanto a um consenso. O PCP, por sua vez, enviou um recado ao BCE, dizendo que "não tem autoridade" para decidir sobre horário de trabalho em Portugal. Um membro do Banco Central Europeu, Peter Praet, questionou esta semana, em entrevista ao Público, a "reversão" de reformas em Portugal, querendo saber quanto custa, por exemplo, este regresso às 35 horas.