Os funcionários da Portway, que realizaram esta terça-feira uma concentração no aeroporto de Lisboa para denunciarem o despedimento coletivo de 257 trabalhadores, entregaram um pré-aviso de greve para 18 de abril.

Foi enviado um pré-aviso de greve para a Portway para o dia 18 de abril entre as 08:00 e as 15:00 de forma a permitir aos trabalhadores da Portway que defendam os seus direitos e postos de trabalho”, afirmou à agência Lusa Fernando Henriques, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (SITAVA).

A Portway anunciou a 23 de março que vai avançar com o despedimento coletivo de 257 trabalhadores, na sequência do fim da prestação de serviços de assistência nos aeroportos à companhia aérea Ryanair em Faro, Lisboa e Porto.

Segundo o dirigente sindical, a concentração e o pré-aviso de greve visam denunciar a “fraude”, a “ilegalidade e a cumplicidade” da Autoridade Nacional de Aviação Civil (ANAC), da Portway e do Governo.

Nós exigimos responsabilidades”, afirmou Fernando Henriques, salientando que a ANAC está a permitir uma “ilegalidade e não fiscaliza a fraude”, e cabe agora ao Governo “tomar uma atitude”.

O SITAVA considera a substituição pela Ryanair da empresa que lhes assegura a assistência nos aeroportos como “ilegal e fraudulenta”, porque a futura empresa não cumpre a legislação prevista para o setor.

Na concentração, que reuniu cerca de 25 funcionários, esteve também presente o secretário-geral da CGTP-IN, Arménio Carlos, que considerou a situação "gravíssima".

Não há nenhuma justificação para este despedimento coletivo a não ser o pretexto da Portway ter perdido o serviço da Ryanair para justificar o despedimento dos trabalhadores”, afirmou Arménio Carlos.

Arménio Carlos considerou também que a Portway está a violar a lei, “porque, ao mesmo tempo que está a despedir trabalhadores, está a assumir que vai passar ao quadro 900 trabalhadores com contratos ainda mais precários e que na prática visa ainda reduzir direitos e ainda mais os salários”.

Perante este quadro, entendemos que o Governo não pode deixar de atuar e pôr cobro a este atentado ao direito ao emprego e a esta desregulação do trabalho que está aqui em marcha e que está na origem deste despedimento coletivo que repudiamos”, concluiu.