O presidente da comissão parlamentar de inquérito ao grupo SATA, nos Açores, anunciou esta segunda-feira que vai pedir à administração da companhia aérea açoriana informação oficial sobre os motivos do despedimento do comandante Luís Miguel Sancho.

“Vou fazer o pedido oficial com data de hoje e pedir acesso à nota de culpa e ao relatório que levou a notificação de despedimento do comandante Luís Miguel Sancho”, afirmou André Bradford no início da última reunião da comissão de inquérito, em Ponta Delgada, acrescentando que a proposta aceite por todos os partidos partiu do Bloco de Esquerda.

A companhia aérea SATA despediu o comandante Luís Miguel Sancho, na sequência de dois processos disciplinares, garantindo a empresa que a decisão nada teve a ver com declarações polémicas do funcionário na comissão de inquérito à transportadora.

O comandante Luís Miguel Sancho confirmou no dia 24 à agência Lusa que recebeu a notificação da SATA a comunicar a decisão de despedi-lo, mas optou por não fazer mais comentários sobre o assunto, alegando que o mesmo está a ser estudado juridicamente.

Embora a decisão de despedimento não tenha sido tomada pelo atual presidente do conselho de administração da SATA, que assumiu funções no dia 18, Paulo Menezes afirmou hoje à Lusa que, tanto quanto sabe, “o processo decorreu de acordo com as regras” e a decisão “não foi tomada de forma leviana” e “nada tiveram a ver com as declarações do mesmo na comissão de inquérito ao grupo SATA”.

Para a única deputada do Bloco de Esquerda no parlamento açoriano, Zuraida Soares, o pedido visa clarificar “dentro da comissão e na opinião pública que o despedimento do comandante nada teve a ver com a audição” de Luís Miguel Sancho na comissão de inquérito.

Artur Lima, do CDS/PP, considerou que a decisão da SATA é “uma forma de pressão ilegítima sobre as conclusões da comissão, com o amém do Governo Regional”, acrescentando que “daqui para a frente ninguém vai querer vir a uma comissão de inquérito”.

Também o deputado do PPM, Paulo Estêvão, lamentou o sucedido e referiu que “existiu da parte da SATA, pelo menos, a tentação de usar as declarações do comandante para este desfecho, tanto mais que pediram à comissão as declarações” de Luís Miguel Sancho feitas durante a sua audição parlamentar.

O presidente da comissão de inquérito precisou que apesar do pedido recebido da parte da SATA e cumprindo a decisão tomada pelos partidos “a comissão não enviou nenhuma declaração do senhor comandante”.

Para o deputado do PCP Aníbal Pires, o despedimento do comandante e de outro tripulante de cabine da SATA, no dia 21, diz bem do “clima persecutório e de intimidação que se vive na empresa”.

Jorge Macedo, do PSD, alegou que “nestas questões de política não há coincidências”, considerando uma “enorme infelicidade” o tempo escolhido para o despedimento, que “se espera seja apenas uma coincidência”.

O PS, pela voz do deputado Francisco César, reafirmou que em relação ao processo disciplinar “ninguém deve ser prejudicado pelo facto de aqui vir fazer declarações seja de que teor for”, salientando que era do conhecimento de todos os membros da comissão de inquérito que o comandante Luís Miguel Sancho tinha dois processo disciplinares quando foi à audição e que os deputados desconhecem os prazos para conclusão dos mesmos.