O BPI apresentou na Conservatória de Registo Comercial o projeto de cisão para separar as operações em África, num comunicado ao mercado em que também refere que irá convocar “proximamente” a assembleia-geral para deliberar sobre essa proposta.


“(…) Na sequência da informação prestada ao mercado em 30 de Setembro de 2015, o Banco BPI informa que foi nesta data apresentado a registo, na Conservatória do Registo Comercial, o projeto de cisão-simples do Banco BPI”, lê-se na informação hoje enviada à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).


O banco diz ainda que será convocada “proximamente” a assembleia-geral de acionistas e obrigacionistas para levar à votação esse projeto.
 

Unitel, de Isabel dos Santos, contra cisão


Após a informação ter sido tornada pública, a operadora Unitel, da empresária angolana Isabel dos Santos, fez saber que está contra o projeto de cisão das unidades africanas do BPI proposto pela administração da banco.

A informação consta do comunicado enviado à CMVM pelo BPI, no qual dá conta do registo em conservatória do projeto de cisão das operações que o banco tem em África – ficando numa unidade separada a participação de 50,1% no BFA - Banco de Fomento Angola e, em Moçambique, de 30% no Banco Comercial e de Investimentos e de 100% no BPI Moçambique - de modo a ultrapassar as regras do Banco Central Europeu (BCE) que limitam os grandes riscos e que aumentam as necessidades de capital no caso da exposição a países como Angola, que Frankfurt considera que não tem uma supervisão equivalente à sua.

Em setembro, o projeto de cisão foi anunciado, mas para ir em frente tem de ser aprovado pelo espanhol Caixabank (maior acionista do BPI, com 44,1% do capital) e pela angolana Santoro, da empresária Isabel dos Santos (segunda maior acionista, com 18,6%). Isabel dos Santos tem ainda mais poder de veto, uma vez que também é acionista do BFA – Banco Fomento Angola, através da operadora angolana Unitel, onde detém uma participação de 25%.